Covas acusa CDHU de lentidão em obras
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terça-feira, 26 de outubro de 1999
Por Alceu Luís Castilho 
São Paulo, 27 (AE) - O governador Mário Covas (PSDB) criticou publicamente, hoje, durante cerimônia no Palácio dos Bandeirantes, a política habitacional da segunda gestão de seu governo, iniciada em janeiro. Na presença do secretário de Estado da Habitação, Francisco de Oliveira Ribeiro, com quem dividia a mesa, e do presidente da Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano (CHDU), Goro Hama, ele acusou a secretaria e a CDHU de lentidão e exigiu que, em dois meses, o órgão e a companhia façam algo para reverter a situação.
As críticas de Covas foram feitas em forma de elogio ao presidente da Caixa Econômica Federal, Emílio Carazzai, que acabara de assinar contrato com o governo e várias construtoras para o início de 72 empreendimentos habitacionais. "Quero lhe parabenizar por ter andado muito mais rápido que o nosso setor de habitação e a nossa empresa de habitação, que tem dinheiro", disse. "Imaginei que, após a assinatura de outros contratos com a Caixa, os órgãos do Estado iam correr atrás e disputar quem ia fazer mais pela habitação; infelizmente, isso não aconteceu."
O governador deixou o secretário Ribeiro em situação delicada ao perguntar-lhe, durante o discurso, quantas unidades seriam entregues até o fim do ano. Ele classificou o número (16 mil) de "bagatela" e continuou a elogiar Carazzai. "Estamos constrangidos de ver a Caixa com essa habilidade e não dar uma resposta igual." Covas elogiou sua gestão anterior, quando foram entregues 120 mil unidades e Hama já estava à frente da CDHU. "Que esse exemplo da Caixa sirva para tomarmos outras providências."
Contexto - O discurso de Covas ocorreu na semana em que o governo estadual enfrentou a maior ocupação de sem-teto da história de São Paulo. Desde a madrugada de segunda-feira, seis prédios (um deles já desocupado) foram invadidos por integrantes da União de Movimentos de Moradia (UMM). Entre esses prédios está o da sede em construção do Tribunal Regional do Trabalho (TRT), na Barra Funda, objeto de denúncias sobre superfaturamento das obras.
"É a moradia que faz de uma pessoa um cidadão", disse Covas. O governador deu à CDHU prazo de dois meses para que a sociedade tenha o que considera "a coisa mais importante", mais unidades habitacionais. "Não vou fazer um desafio porque se trata de uma determinação", disse. "No dia 30 de novembro haverá uma reunião, aqui, e eu quero assinar 60 contratos para construção de casas; quero receber todos para assinar contratos da CDHU e não da Caixa Econômica."
O presidente da CDHU saiu do Palácio sem dar declarações. Já o secretário da Habitação, que assumiu a pasta no fim do ano passado, disse que Covas tem razão em suas críticas. "Já poderíamos ter entregue maior número de unidades", disse Ribeiro.


