São Paulo, 10 (AE) - O governador de São Paulo, Mário Covas (PSDB), aceitou hoje o pedido de demissão do presidente da Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano (CDHU), Goro Hama. Covas disse que tomou a decisão contra a própria vontade. "É a contragosto que aceito (o pedido de demissão) porque o que se tem feito para o Goro é uma coisa impensável ", afirmou o governador, depois de participar, no Palácio dos Bandeirantes, de uma reunião com os prefeitos dos municípios atingidos pelas enchentes.
Hama também estava presente ao encontro. A queda de Hama
tido como intocável da administração tucana, aconteceu três dias depois da divulgação de acórdão do Tribunal de Justiça (TJ) que decretou a indisponibilidade dos bens dele. Hama é acusado de improbidade administrativa e atos lesivos ao patrimônio público em ação civil que apura supostas irregularidades em contrato firmado entre a CDHU e a Companhia de Seguros Gerais do Estado (Cosesp) para cobertura de financiamento de casas populares. O negócio foi intermediado por uma corretora particular e teria causado dano de R$ 2,26 milhões ao Tesouro.
Hama redigiu a carta de demissão na sexta-feira (07) e entregou-a a Covas. O governador passou o fim de semana examinando o caso. Covas resistiu muito à idéia de aceitar a saída do amigo. Hoje, ao anunciar a decisão, Covas afirmou que o objetivo é "poupar" Hama. A reportagem apurou que Hama poderá ser contemplado com um cargo de confiança muito próximo a Covas.
Ex-secretário-geral do PSDB (1993-1997) e ex-deputado estadual (1979-1983), Hama atuava como um dos principais cabos eleitorais de Covas, que o saúda publicamente o chamando de "japonês". A Hama, o governador delegou a missão de conduzir o mais notório projeto social - a construção de casas populares. Durante o primeiro mandato de Covas, a CDHU entregou 120 mil unidades habitacionais. Estão em andamento outras 50 mil casas. Na carta de demissão, Hama se diz alvo de uma "campanha difamatória" por parte dos jornais e se põe à disposição do governador. "Não quero atrapalhar o seu governo", disse Hama. Aos assessores mais próximos, Hama vinha manifestando "muito cansaço" diante do bombardeio de denúncias contra a administração dele. "Não há trégua", lamenta. Contra ele, foram abertas ações civis no Fórum da Fazenda. A Promotoria de Justiça da Cidadania pede a condenação de Hama, envolvido na contratação de empreiteiras sem concorrência pública ou em contratos que teriam sido superfaturados.
Além de Hama, foram demitidos o vice-presidente, Lázaro Piunti, e o diretor-financeiro da companhia, Luiz Carlos Espíndola. Covas disse que ainda não escolheu os nomes para a nova direção da CDHU. A briga pelo posto é feroz. A CDHU é uma empresa muito rica, ostentanto receita anual de R$ 2 bilhões - os recursos são repassados da arrecadação de Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS).
O governador afirmou que concordou com o pedido de Hama porque "cansou de ver notícias equivocadas sendo publicadas na imprensa". Para o governador, existe "uma perseguição" contra Hama. "Chegam a publicar diariamente que há 184 processos da CDHU não-aprovados pelo Tribunal de Contas (TCE), quando esses projetos foram licitados no governo anterior", sustentou, referindo-se ao ex-governador Luiz Antonio Fleury Filho (1991-1994), hoje, deputado federal pelo PTB.
Relatório do Centro de Documentação Jurídica do TCE encaminhado ao Ministério Público Estadual (MPE) revela que 145 contratos da CDHU foram rejeitados em caráter definitivo - não cabe apelação contra tais decisões. Desse total, 32 contratos foram efetivamente firmados na gestão Fleury Filho. Os outros 113 contratos foram assinados no governo Covas.

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