São Paulo, 27 (AE) - O governador de São Paulo, Mário Covas, aceita diminuir o ICMS dos carros para colaborar na proposta emergencial de redução de preços que será levada pelos sindicatos de trabalhadores amanhã ao presidente Fernando Henrique Cardoso. Os sindicalistas acabam de sair da reunião com o governador, no Palácio dos Bandeirantes, e não quiseram revelar o acordo fechado com São Paulo.
A idéia dos sindicatos da Central Única dos Trabalhadores e da Força Sindical é obter uma redução de preços de 11% em média nos preços dos automóveis para recuperar o setor na crise. Para compor este percentual será necessário que o governo federal aceite diminuir o Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) em até 50%. A alíquota de ICMS dos carros é de 12%. Covas, que não deu entrevistas, disse aos sindicalistas que o governo de São Paulo aceita participar deste acordo emergencial. Mas os sindicalistas argumentaram que não seria ético antecipar para à imprensa o acordo com São Paulo antes de apresentá-lo a Fernando Henrique Cardoso.
Segundo o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, Luiz Marinho, este acordo emergencial seria válido por três meses, podendo ser renovado para seis meses. Durante este período, o governo faria uma renúncia fiscal para incentivar as vendas. Mas, o acordo só será válido, segundo o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo, Paulo Pereira da Silva, se as montadoras cancelarem os aumentos de preços anunciados na semana passada, que variaram entre 1,9% e 11%.
Outra condição que será colocada pelos sindicatos é a estabilidade no emprego. Ou seja, durante a vigência do acordo emergencial, os fabricantes de veículos não poderão demitir. À Ford, eles solicitarão ainda a suspensão das 2,8 mil demissões anunciadas no final de dezembro.
Marinho e Pereira da Silva estarão com Fernando Henrique amanhã e, se o presidente da República aceitar participar do acordo, o próximo passo deverá ser a convocação das montadoras para uma reunião final. Em São Paulo, a proposta de redução de ICMS depende de aprovação da Assembléia Legislativa.

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