Medida assistencialista, discriminatória e que não ataca a raiz do problema. Críticas à parte, a tentativa de se universalizar o acesso ao ensino superior por meio da destinação de cotas específicas para estudantes de escola pública e negros tem repercutido positivamente no ensino médio. Em Londrina, os colégios estaduais não fazem a mesma propaganda que os particulares mas comemoram o aumento no número de aprovações no vestibular deste ano da Universidade Estadual (UEL), a principal instituição pública do norte paranaense que instituiu o sistema há dois anos. A tendência ainda é tímida, mas a percepção geral é de que as cotas elevaram a auto-estima das turmas de colegiais ao ampliarem a possibilidade de ingresso na faculdade.
No Colégio Estadual Polivalente, na Zona Oeste, a diretora geral Rosemary Ferreira Coimbra nem esperou o dia amanhecer para saber quais alunos seus haviam garantido vaga na UEL. ''De madrugada peguei o suplemento da Folha com os aprovados e fui riscando os nomes de quem tinha passado'', revela. A pressa antecipou a comemoração pela aprovação de seis estudantes da escola. Outros 15 que estudaram no colégio em anos anteriores também foram aprovados. Pouco? ''Um recorde'', valoriza a diretora apontando que até o ano passado estava acostumada a contabilizar apenas uma ou duas aprovações.
Rosemary credita o bom desempenho a alguns fatores. Primeiro, destaca a garra e dedicação demonstradas por alunos e professores. Em seguida, aponta que o projeto político-pedagógico da escola está mais direcionado para o vestibular da UEL. Depois, avalia que o sistema de cotas ''deu uma ajuda'' ampliando as chances dos candidatos da escola pública e aumentando a confiança dos estudantes de que poderiam conseguir uma cadeira em uma universidade gratuita. ''Os alunos hoje cobram uma postura da escola e não falam mais amém para tudo. Eles querem saber porque tal professor faltou, criticam os conteúdos, reclamam da falta de condições'', comemora a diretora que, pessoalmente, discorda que a escola pública ainda sofre de falta de credibilidade.
No Colégio Estadual Albino Feijós Sanchez (Zona Sul), a supervisora pedagógica Dulcinéia Martins Santana também presenciou este ano que mais alunos da escola foram aprovados na UEL: sete ao todo, entre cotistas e não cotistas. O colégio teve cerca de 800 jovens cursando ensino médio.
''Os alunos estão começando a ter mais interesse pelo ensino superior. O sistema de cotas ainda não repercutiu como deveria mas já é um pinguinho de mudança'', analisa. Ela lembra que a maioria dos alunos precisa trabalhar e estudar. Por isso, a maioria que concluia o ensino médio abandonava a escola.
De acordo com a supervisora, a situação não é diferente hoje mas já se percebe que os colegiais estão buscando informações para tentarem continuar os estudos, seja através das cotas em instituições públicas ou recorrendo a bolsas de estudo ou financiamentos nas particulares.

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