Valmir Denardin
De Foz do Iguaçu
Na região Extremo-Oeste do Estado, o preço atual de mercado de uma área equivalente à da Fazenda Ocoí é de aproximadamente R$ 60 milhões, segundo avaliação feita, a pedido da Folha de Londrina/Folha do Paraná, por imobiliárias que negociam áreas rurais. Esse valor é quase oito vezes menor àquele que os antigos proprietários da área cobram na Justiça (R$ 445,7 milhões) e quatro vezes maior ao que o Incra considera justo (R$ 12,7 milhões).
O preço do alqueire (que equivale a 2,4 hectares) de terras mecanizadas na região custa entre R$ 10 mil e R$ 12 mil. Quando a propriedade tem benfeitorias, o valor aumenta. Se os 12,5 mil hectares (5 mil alqueires) da Fazenda Ocoí fossem vendidos pela preço máximo, os proprietários conseguiriam obter R$ 60 milhões.
Aproximadamente metade da área inicial da fazenda hoje está submersa pelo Lago de Itaipu. Na área restante, há pequenas propriedades, resultantes do assentamento de sem-terra ocorrido em 80, e até uma reserva indígena – com 231,8 hectares, onde estão 38 famílias da etnia avá-guarani, que viviam anteriormente em áreas que foram alagadas.
‘‘Esse valor (da indenização) que estão cobrando é um absurdo’’, disse à Folha o corretor João Camargo de Oliveira, funcionário da Imobiliária Pedot, de São Miguel do Iguaçu (45 quilômetros a nordeste de Foz do Iguaçu), que atua no mercado há 20 anos.
‘‘Esse cálculo está totalmente fora da realidade. É astronômico’’, completou a corretora Elaine Noeli Destro, da Imobiliária Destro, de Foz do Iguaçu. ‘‘O mercado regional não fala em milhões.’’ A área original da Fazenda Ocoí ocupava parte desses dois municípios.
O setor de compra e venda de terras no Extremo-Oeste atravessa uma crise. Nos últimos anos, o preço do hectare caiu cerca de 40%. Terrenos à beira do Lago de Itaipu – usados geralmente para chácaras de lazer –, no entanto, tiveram uma pequena valorização.

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