COT passa a tarde em fazendas para encontrar policiais
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 22 de setembro de 1999
Por Edmilson Ferreira (especial para a AE) 
Rio Branco, 23 (AE) - Com base em informações de agentes civis, 28 homens do Comando de Operações Táticas (COT) da Polícia Federal (PF) passaram a tarde de hoje em fazendas em Rio Branco para encontrar os policiais civis Sérgio Moreira Gomes, o "Keneddy", e Raimundo Alves de Oliveira, o "Barroso", que tiveram a prisão decretada pelo juiz federal Pedro Francisco do Santos, juntos com outros 26 supostos traficantes e envolvidos com os grupos de extermínio que seriam liderados pelo ex-deputado Hildebrando Pascoal (sem partido-AC).
O COT começou às 6 horas a cumprir os 28 mandados de prisão. Parte dos acusados, como os policiais militares Ferdinando Mendes e Pedro Honorato Neto, o "H. Neto", apresentaram-se espontaneamente na sede da PF e foram conduzidos para o Comando-Geral da Polícia Militar, onde ficarão presos por 30 dias. Por volta das 16 horas, 20 suspeitos, incluindo o deputado cassado, tinham sido presos.
Dois primos de Pascoal, Pedro Brandeira, policial civil e vereador em Senador Guiomard (25 quilômetros de Rio Branco), e Pedro Duarte, tenente da PM, foram presos à tarde e, assim como os demais acusados, conduzidos para as delegacias e quartéis onde trabalham.
A família do agente civil José de Oliveira Gomes, o "Nêgo Gomes", que trabalha em Vila Campinas (100 quilômetros da capital) passou todo o tempo em frente da Superintendência da PF, esperando que ele pudesse aparecer; os filhos não o viam há mais de um mês. Apesar de estar na lista de acusados, "Nêgo Gomes" não tinha sido preso até o fim da tarde.
Ao meio-dia, o superintendente da PF, Glorivan Bernardes
fez um balanço parcial da operação. "Tudo transcorre tranquilamente; já foram feitas grande parte das prisões, alguns se apresentaram e é provável que todos os mandados judiciais sejam cumpridos até o anoitecer", avaliou.
Bernardes fez contatos com o comando das Bases Aéreas de Manaus e Porto Velho para conseguir um avião Búfalo, da Força Aérea Brasileira (FAB), com o objetivo de transportar os presos até Brasília, onde serão recolhidos na Penitenciária da Papuda.
Os advogados dos detidos vão usar os mesmos argumento para tentar os livrar da cadeia: inconsistência de provas e cerceamento do amplo direito de defesa, semelhantes aos usados por Pascoal para evitar a cassação.


