Costureira acompanhou mudanças na vida feminina7/Mar, 21:24 São Paulo, 07 (AE) - As mudanças ocorridas na vida das mulheres ao longo dos últimos 90 anos foram vistas de perto pela costureira Helena Paulillo. Paulistana, filha de italianos, hoje com 95 anos, ela tinha 5 quando a comunista alemã Clara Zetkin propôs, em Copenhague (Dinamarca), a criação do Dia Internacional da Mulher. "Hoje a vida é muito melhor", garante. Helena teve uma vida privilegiada, em comparação com as mulheres de sua geração. Aos 20 anos, ou seja, em 1925, casou-se com o jogador de basquete Renato Paulillo. "Continuei trabalhando em casa, costurando", diz. "Tinha muita liberdade tanto para ganhar quanto para gastar meu dinheiro." A vida social de Helena também era agitada. "Saíamos para jantar quase todos os dias, íamos a festas e viajávamos." A costureira só não acompanhava o marido nas turnês, com o time de basquete. "Era uma vida diferente da que levavam minhas amigas: todas tiveram muitos filhos, poucas trabalhavam e a maioria tinha medo dos maridos." Mas, com o passar dos anos, as diferenças entre o estilo de vida de Helena e de suas amigas foi diminuindo. "Aos poucos, as mulheres foram tendo menos filhos, o que já dava uma folga maior", lembra. E as mudanças não ficaram por aí. "As meninas passaram a ter uma formação melhor, não foi como eu, que tive de sair da escola cedo para aprender um ofício." E completa: "O fato de trabalhar fora já não atrapalha a vida do casal." Júlia, a filha de Helena, hoje com 73 anos, enfrentou um período intermediário. Seu marido pressionou-a para interromper seu trabalho como secretária. "Ele morria de ciúmes e acabei aceitando isso", conta. "Claro que, depois de tanto tempo, acostumei-me, mas tenho certeza de que hoje as mulheres não cedem tão fácil." Helena elogia o ingresso da mulher no trabalho, sua independência econômica e a liberdade. Mas faz uma restrição: "Os casais separam-se com muita rapidez." Mesmo assim, acha que a vida agora é mais fácil. "Hoje, a mulher tem muito mais chance de ser o que quer", diz. "Antes, vivíamos para fazer a vontade dos nossos pais, irmãos, maridos e filhos."

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