‘‘Costa Oeste chega à maturidade’’
Lúcio Flávio Moura
Especial para a Folha
Ney de SouzaO programa de aproveitamento turístico da margem brasileira do Lago de Itaipu - o chamado Projeto Costa Oeste - tem a cara e o espírito do seu idealizador. Jaime Lerner (PFL), o primeiro governador do Paraná a ser reeleito, aplicou nos terminais turísticos e nas bases náuticas suas principais características: a viabilização de parcerias entre poder público e a iniciativa privada e o desenvolvimento de projetos integrados e inovadores.
Um dos governadores que dão sustentação ao governo Fernando Henrique Cardoso (PSDB), o ex-prefeito de Curitiba acredita que a presença do presidente na cerimônia de abertura dos Jogos Mundiais da Natureza, em 1997, e o trabalho de Rafael Greca à frente do Ministério do Esporte, Turismo e Juventude foram fundamentais para aumentar a projeção da Costa Oeste em Brasília e facilitar parcerias com o governo federal.
Quatro anos depois de sua implantação, Lerner considera que a iniciativa chegou a sua fase madura e pode entrar na era de resultados. Em entrevista exclusiva à Folha, respondida por fax, Lerner reflete a atual fase do projeto e seus planos até o ano 2002.
FolhaO atual estágio do Projeto Costa Oeste já causou impacto na economia da região Oeste do Estado?
Jaime LernerO Projeto Costa Oeste trouxe, antes de tudo, a integração e a otimização do potencial econômico e turístico da região. A criação das bases náuticas, a reestruturação das rodovias de acesso e os Jogos Mundiais da Natureza são ações que já têm como base essa integração. O importante é ampliar as possibilidades de atração de investimentos para a região. Ao mesmo tempo, temos que aproveitar a vocação regional e todo o potencial turístico que a Costa Oeste possui. Estamos conseguindo, mas vamos avançar ainda muito mais. Sem dúvida, a Costa Oeste entra agora em uma fase de maturidade, quando todos esses componentes ganham uma nova dimensão.
FolhaQual a visão do governo federal sobre o projeto? A região Oeste pode ganhar espaço em campanhas de divulgação da Embratur?
LernerO projeto Costa Oeste beneficia a região, o Estado e o todo o País. Sem dúvida, o Brasil ganha com o incremento do turismo e a potencialização da economia, seja em qual Estado da União que esse processo aconteça. O presidente Fernando Henrique esteve aqui na abertura dos Jogos Mundiais da Natureza e se tornou um grande entusiasta do projeto. Agora, com o Rafael Greca como ministro, que na época dos jogos era secretário do meu governo e que participou ativamente da realização do evento, as nossas possibilidades de parceria com o governo federal se ampliam ainda mais.
FolhaQual a expectativa do volume de investimentos para a Costa Oeste no segundo mandato? Serão maiores que o primeiro?
LernerO que nós estamos propondo com o projeto Costa Oeste é uma parceria com a iniciativa privada. Estamos oferecendo uma infra-estrutura e uma beleza únicas no planeta, para que os empresários se tornem parceiros do Paraná em investimentos que atraiam novas fontes de renda para a região. Como eu já falei, o projeto entra agora em um fase de maturidade. Assim como o processo de industrialização, que começou há quatro anos e somente agora os resultados começam a aparecer. Acredito que, na Costa Oeste, o comportamento seja o mesmo. Eu falo isso porque tenho recebido inúmeras visitas, em meu gabinete, de empresários que estão definindo novos investimentos e estão interessados na Costa Oeste. Assim como aconteceu com as indústrias no Paraná, o mesmo procedimento se repete. Quando os projetos se viabilizarem, a expansão é uma consequência. Um projeto atrai o outro. Uma iniciativa viabiliza outra, criando uma rede de interação.
FolhaLevando-se em consideração que o projeto Costa Oeste depende basicamente de investimentos privados, o que o governo Lerner pretende fazer para que o agravamento da crise econômica não atinja a região?
LernerOs paranaenses, que me reelegeram, confirmando a aprovação no projeto de transformação do Estado que iniciamos há quatro anos, sabem que eu nunca trabalhei de forma pessimista. Quando os catastrofistas desenham um cenário negativo, acabam torcendo e trabalhando para que isso aconteça. Eu prefiro trabalhar com a busca de soluções. Quando se fala em crise, eu vejo que nós temos que apresentar saídas, alternativas que viabilizem a manutenção do crescimento econômico e do avanço na área social. A Costa Oeste é uma alternativa de investimento independente de flutuações da política econômica do País.
FolhaQual a atração turística criada na Costa Oeste que o senhor mais aprecia?
LernerQuando sobrevoei a região da Costa Oeste, durante a minha primeira campanha para governador, não consegui entender porque nenhum governo ainda não tinha potencializado toda essa beleza. Acho que a Costa Oeste é um lugar raro, com uma beleza que encanta e atrai como se exercesse até mesmo uma certa magia. Em toda a sua extensão, os encantos que a natureza criou e as alternativas que nós podemos inserir, ampliando a possibilidade de interação entre o homem e o meio ambiente, são inúmeras.
FolhaPolíticos da região estão tentando viabilizar, junto a empresários, viagens com barcos turísticos pelo Lago de Itaipu, incluindo escalas em bases náuticas e nas praias, o que o senhor acha da idéia?
LernerAcho ótima. Esta iniciativa vai ao encontro de uma idéia que tenho de explorar todo o complexo do eixo de navegação do Tietê-Paraná. Imaginem a beleza do passeio saindo de Piracicaba (SP) pelo Tietê e depois entrando nas águas do Paraná, contornando todo o conjunto das 270 ilhas do complexo de Ilha Grande. É um roteiro turístico que não encontra similar no mundo. É fantástico.
FolhaQue região do planeta pode ser apontada como modelo de desenvolvimento turístico para a Costa Oeste?
LernerEu sempre digo que cada região deve encontrar e definir sua vocação, as maiores potencialidades que podem ser aproveitadas para provocar o desenvolvimento. Cada lugar tem suas características. A região da Costa Oeste tem uma beleza insuperável. Mas, se fosse para fazer uma comparação, o Lac Leman, na divisa entre a França e a Suíça, é um modelo de desenvolvimento que aproveitou um potencial turístico muito menor que o da nossa região e hoje é uma área que atrai turistas do mundo inteiro e que movimenta uma economia de larga escala.
FolhaExiste a garantia do governo do Estado de que a próxima edição dos Jogos Mundiais da Natureza se realizará? Como o senhor avalia a primeira experiência?
LernerQuem está garantindo a próxima edição é o próprio Comitê Olímpico Internacional (COI), que incluiu os nossos Jogos no calendário de grandes eventos esportivos, junto com as Olimpíadas e as Olimpíadas de Inverno. O alcance do sucesso da primeira edição superou até mesmo as expectativas mais otimistas. Durante os Jogos, o Paraná foi apresentado em mais de 500 emissoras de televisão de todo o mundo. Foi um trabalo de divulgação para a Costa Oeste que não poderia ser realizado com a mesma intensidade e retorno através dos modelos convencionais. Não dava para esperarmos apenas que a Costa Oeste se transformasse em pôster das companhias aéreas para divulgar a região. O efeito da divulgação dos Jogos Mundiais da Natureza pode ser multiplicado por um número muito grande, em função da cobertura jornalística que tivemos durante a realização. Para a próxima edição tenho certeza que ampliaremos ainda mais esses resultados, despertando a atenção do mundo para a beleza da Costa Oeste, um cenário único e de beleza rara.


PERFIL
Nome: Jaime Lerner
Idade: 61 anos
Formação: Arquiteto e
planejador urbano
Cargo atual: Governador do
Paraná
Estado civil: Casado com
Fani Lerner
Filhas: Ilana e Andréa

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