Coselli rebate acusações do MP
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domingo, 19 de março de 2000
Por Kelly Lima 
Ribeirão Preto, SP, 20 (AE)- A cerealista Adriano Coselli, de Ribeirão Preto (SP), negou hoje, em entrevista coletiva, as acusações feitas pelo Ministério Público de Cravinhos, de que a empresa teria "maquiado" bacalhau importado da Noruega com data de validade vencida para que ele fosse colocado à venda. Segundo a empresa, o produto, que foi interditado pela Vigilância Sanitária no dia 26 de fevereiro tinha condições de chegar ao mercado.
A empresa alegou que a exportadora do bacalhau informou datas diferentes de validação na parte externa da caixa contendo o produto (um ano a partir de dezembro de 98) e nas embalagens internas (dois anos a partir da mesma data). "O que estava sendo feito pela Coselli em sua prestadora de serviços em Cravinhos era uma avaliação corriqueira sobre a qualidade do produto e uma correção da data, autorizada pela própria empresa exportadora", explicou o assessor de imprensa Ronaldo Knack, autorizado como porta-voz do empresário Adriano Coselli.
Ele, no entanto, não soube dizer se a correção da validade do produto deveria ter passado novamente pelo SIF para receber autorização para chegar ao mercado. O assessor disse ainda que a unidade de Cravinhos, onde foi encontrado o lote interditado, sempre foi utilizada como unidade de descarte de produto e que por esse motivo a azeitona e uva passa encontradas no local seriam jogadas fora e não levadas ao mercado. "O produto é avaliado, escovado e somente depois chega-se a conclusão se ele pode ou não ser colocado à venda ou se deve ser jogado fora". Segundo ele, a empresa ainda não foi informada oficialmente sobre as acusações, já que o Ministério Público não ofereceu denúncia formal sobre o tema.
A empresa também alegou que as amostras recolhidas e analisadas pelo Instituto Adolfo Lutz sobre o bacalhau armazenado em Cravinhos e que apontaram irregularidades, foram recolhidas inadequadamente. "As amostras foram levadas ao instituto três dias após o bacalhau ter ficado armazenado sem refrigeração a uma temperatura de 40 graus em média", disse o porta-voz da empresa. Ainda segundo os advogados da Coselli, um outro laudo emitido pelo Adolfo Lutz, datado de 30 de novembro de 1999, aponta que o lote tinha condições apropriadas de consumo.
A empresa acredita que, por esse motivo, pode ser liberado uma segundo parte do mesmo lote de bacalhau apreendida, que estão interditadas em armazéns refrigerados da empresa em Bebedouro e em Ribeirão Preto, após a divulgação do resultado das amostras, o que deverá ser feito até hoje (20) à tarde. Durante a entrevista coletiva, a empresa não quis divulgar os prejuízos decorrentes do episódio de apreensão do bacalhau, mas classificou como "oportunista e irresponsável" a atitude do promotor Wanderley Trindade, de divulgar acusações para a imprensa "sem apresentar provas contundentes". A empresa, segundo o assessor, deverá entrar com ações por danos morais sofridos pela família Coselli.


