Rio, 8 (AE) - Os cortes no volume de recursos destinados ao Programa de Financiamento às Exportações (Proex) não estão restringindo o crédito para o setor, na avaliação do diretor do BNDES Exim Rodrigo Cabral. "Não vejo sentido nisso", afirmou Cabral. "O problema é que a América Latina entrou em recessão e reduziu a demanda por produtos brasileiros."
Segundo ele, não há correlação entre o resultado negativo da balança comercial e a redução nas verbas para o Proex.
Ele lembrou que o volume de financiamento à exportação pós-embarque liberado pelo BNDES cresceu em relação ao ano passado. Entre janeiro e julho foram liberados US$ 604,5 milhões
contra os US$ 549,1 milhões verificados no mesmo período de 1998. Nessas linhas, o banco utiliza recursos destinados pelo governo para equalização dos custos de captação no mercado interno e externo.
O governo cortou em R$ 170 milhões o orçamento para o Proex este ano para atingir o ajuste fiscal negociado com o Fundo Monetário Internacional (FMI). A redução foi feita integralmente nos recursos destinados a equilização das taxas de juros.
Ele lembrou que o custo do Proex subiu após a desvalorização cambial promovida pelo governo brasileiro. O encarecimento da linha de financiamento também contribuiu para diminuir a demanda pelo produto. O crédito deve ficar ainda mais caro quando o governo regulamentar uma nova redução nos percentuais de equalização de taxas de juros.
Cabral não acredita que esse fato possa diminuir o interesse dos bancos pelo Proex. O BNDES ainda não divulgou quanto liberou em agosto, mas o diretor adiantou que o volume de ter superado os US$ 89 milhões registrados no mesmo mês do ano passado.

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