São Paulo, 11 (AE) - O perigoso ritmo de esgotamento dos estoques de petróleo nos países do Hemisfério Norte, a perspectiva de manutenção dos cortes na produção a partir de março e de redução ainda maior da oferta do produto para os Estados Unidos e para a Europa, por parte da Arábia Saudita, fizeram disparar as cotações do produto. O barril do tipo Brent, negociado no mercado londrino, superou confortavelmente a marca dos US$ 28, maior preço em nove anos, chegando a ser negociado por US$ 28,20 antes de recuar para US$ 27,84. Em Nova York o produto norte-americano foi vendido a US$ 29,94, mas caiu um pouco no fim do dia.
Nos últimos dois dias, o preço da commodity do tipo leve
do Mar do Norte, aumentou 6%. A alta ganhou força depois que representantes da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) confirmaram os rumores de que os sauditas estavam dispostos a reduzir mais a oferta para o Hemisfério Norte até março, quando o cartel se reune para decidir sobre a manutenção ou não dos cortes na produção, determinados há um ano.
Hoje, um relatório da Agência Internacional de Energia (IEA) alertou para o fato de os estoques de petróleo nos países ricos, membros da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE), estarem sendo reduzidos a um ritmo de 2,7 milhões de barris ao dia em dezembro, o maior gasto diário desde fevereiro de 1994. Para os especialistas da IEA, a simples reposição dos estoques mínimos, excluída a prevista expansão da demanda por gasolina a partir de março, exigiria um aumento da oferta do produto da ordem de 2,4 milhões de barris dia pelo resto do ano, para uma média diária de 28,6 milhões de barris diários. Hoje, a Opep está fornecendo apenas 26,2 milhões de barris por dia.
Os especialistas também estão cada vez mais preocupados com o nível de fornecimento de gasolina e a queda na produção das refinarias. Conforme o relatório da IEA, os estoques do combustível estão perigosamente baixos para atender à demanda de primavera no Hemisfério Norte. Nem recomendações de Washington para que as refinarias adiem os trabalhos de manutenção de modo a garantir o fornecimento regular de combustíveis será suficiente para equilibrar oferta e demanda.
Corte - Para agravar ainda mais o quadro, o governo do Iraque anunciou no fim da tarde que vai cortar suas exportações de petróleo, autorizadas pela Organização das Nações Unidas, em mais 250.000 barris dia caso os Estados Unidos continuem bloqueando a assinatura de contratos para fornecimento de peças de reposição ao país. Conforme o general iraquiano Amir Muhammed Rasheed, nos últimos meses a exportação de petróleo do Iraque já caiu de 1,86 milhão de barris diários para 1,4 milhão de barris, mas deve ser reduzida ainda mais por falta de peças de reposição.
A preocupação do mercado traduziu-se hoje em um apelo da União Européia, que alertou os países produtores para os riscos de comprometimento da economia global caso haja um descompasso ainda maior entre a oferta e a demanda. Nos Estados Unidos, os políticos estão preocupados com os reflexos políticos da elevação dos preços dos derivados a partir da alta das cotações do petróleo crú, principalmente em decorrência dos rigores do clima neste inverno.
Alguns analistas, porém, acreditam que quanto mais subirem as cotações neste momento, menores serão as chances de que os países da Opep mantenham o atual limite de produção a partir de março."As altas cotações vão fazer o cartel rever a atual estratégia", afirmou Peter Gignoux, chefe da área de Energia da corretora Salomon Smtih Barney.
Os representantes dos países exportadores devem se reunir em Viena no dia 27 de março para discutir as táticas a serem usadas para manter as cotações do produto este ano. Os principais fornecedores dos Estados Unidos, Venezuela, México e Arábia Saudita, no entanto, devem encontrar-se antes, provavelmente na primeira semana do mês que vem, para unificar suas posições, mas o México já avisou, quer manter as cotações estáveis, pois os preços altos prejudicam tanto os consumidores quanto os produtores. (com agências internacionais)

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