Cortejo fúnebre pára ruas de Tucumán
Das agências
De São Miguel de Tucumán
e São Paulo
Cerca de três mil pessoas estiveram ontem no centro de exposições de San Miguel de Tucumán, no velório das 39 vítimas do acidente que envolveu dois ônibus com turistas argentinos no quilômetro 196 da BR-470 em Santa Catarina. Dispostos lado a lado, os caixões estavam cercados por grupos de familiares e amigos dos mortos. A comoção era geral. Mesmo assim a empresa Giménez Viajes SRL manteve suas portas abertas ao longo do dia.
Os corpos das vítimas chegaram a San Miguel de Tucumán às 7h55, hora argentina (08h55 hora do Brasil), trasladados por um avião Hércules C-130 da Força Aérea Brasileira (FAB). Foi o fim de uma tensa vigília que começou na noite de quinta-feira no aeroporto Benjamin Matienzo. Os turistas feridos que estavam em condições de viajar de avião e familiares chegaram em vôo especial do Tango 01, o avião da Presidência da Argentina.
Os familiares, que viajaram a Santa Catarina para ajudar na identificação, desembarcaram no aeroporto Benjamin Matienzo e ali permaneceram sem dormir, aguardando a chegada do avião da FAB com os corpos. Dos passageiros do ônibus só seis ficaram no Brasil: quatro com ferimentos graves, o motorista Victor Hugo Jaime e Francisco Giménez, o dono da agência de viagens que organiza há muito tempo excursões para o Brasil. Cada turista paga US$ 360 por uma viagem que inclui 12 dias em hotel nas praias de Camboriú (SC).
Muito abalado, Jaime diz que não pretende voltar à província de Tucumán. Levarei a morte destas 39 pessoas para sempre na minha cabeça, disse, ontem, ao delegado Roberto Schules, da Policia Civil da cidade de Rio do Sul (SC).
O cortejo entre o aeroporto e o centro de exposições uma fila de carros de dois quilômetros atraiu muitas pessoas às ruas ou às portas e janelas das residências e estabelecimentos comerciais. No centro de exposições, foi celebrada uma missa, concluída por volta do meio-dia (hora local). Após a missa os corpos, embalsamados, foram liberados para que as famílias os levassem para ser velados em outros locais. Havia também a possibilidade de manter o corpo no local. Os sepultamentos devem acontecer hoje, em vários cemitérios da província.
O clima de comoção que marcou a missa foi quebrado pela informação de um assalto a uma agência do Banco de La Provincia de Tucumán. Os ladrões aproveitaram o fato de praticamente toda a polícia de San Miguel estar mobilizada na recepção e homenagem às vítimas.
O motorista Horácio Candido Sotelo, da Island Turismo, suspeito de imprudência no acidente rodoviário na BR-470, em Pouso Redondo (SC), que causou a morte de cinco pessoas, anteontem, foi preso em flagrante na mesma noite. A Justiça decidiu mantê-lo preso, por tempo indeterminado. A medida vale também para o motorista Jaime Victor Hugo. A juíza Quitéria Tomanini Peres, do Rio do Sul (170 quilômetros ao centro-oeste de Florianópolis), negou, no final da manhã de ontem, pedido para libertar Victor Hugo.
Os advogados do motorista, contratados na cidade, argumentaram que o Código Brasileiro de Trânsito não prevê a prisão preventiva para pessoas envolvidas em acidentes. Eles alegaram, ainda, que Victor Hugo tem bons antecedentes e endereço fixo na Argentina.
A juíza disse que não libertou o argentino por não saber qual a responsabilidade dele no acidente. Estamos numa fase muito importante de produção de provas. Seria precipitado libertar agora, pois trata-se de uma pessoa de outro país, e podemos ter dificuldades de encontrá-lo mais tarde.





