RIO - Ladeado por um grupo de mulheres e ao som do hino nacional, o caixão com o corpo do senador Darcy Ribeiro (PDT-RJ) baixou à sepultura, no mausoléu da Academia Brasileira de Letras (ABL), às 19h45 de ontem. Foi o primeiro enterro noturno realizado no cemitério São João Batista, em Botafogo, na zona sul. Atendendo a um pedido do próprio Darcy, o ex-frade Leonardo Boff encomendou o corpo e fez um breve discurso antes do enterro, que reuniu cerca de 500 pessoas.
O substituto de Darcy no Senado, Abdias Nascimento (PDT), o ex-governador Leonel Brizola (PDT), o governador do Distrito Federal, Cristóvão Buarque (PT), e o deputado federal José Maurício (PDT) discursaram no escuro em um palco improvisado no alto de um degrau, do lado de fora do mausoléu. ‘‘Se a gente pudesse visualizar fisicamente a morte, ela estaria cheia de hematomas porque topou com Darcy Ribeiro’’, discursou Brizola. ‘‘A morte não venceu Darcy Ribeiro porque ele cumpriu sua missão.’’ Leonardo Boff enfatizou a luta do senador pela educação das crianças carentes: ‘‘Há dias, ele me disse que não existe uma galinha de rua, não existe um bezerro de rua, mas há muitas crianças de rua, o que é absurdo.’’
Na confusão que antecedeu ao enterro, o presidente do PT, José Dirceu, acabou torcendo o braço. A adoração dos militantes do PDT acabou provocando tumulto no cemitério. A família do senador não conseguiu entrar no mausoléu porque os pedetistas lotaram o local. O atraso de mais de duas horas no enterro, previsto para acontecer às 16h30, também foi motivado por militantes. Eles insistiram em acompanhar a pé o carro aberto do Corpo de Bombeiros que levou o caixão da ABL, onde foi velado, até o cemitério.
Para atender ao desejo dos militantes, o carro teve que fazer um trajeto mais longo - de cerca de cinco quilômetros - para chegar ao São João Batista. A passeata gerou um grande engarrafamento. Policiais militares que acompanhavam o cortejo tiveram de interditar diversas ruas do centro da cidade. Um cordão humano, formado por mais de trinta mulheres, abria o cortejo fúnebre, seguido dos militantes com bandeiras do PDT e amigos do senador, como a presidente da ABL, a escritora Nélida Pi¤on. Darcy Ribeiro foi velado com o fardão da ABL e descalço - como gostava de ficar quando estava em casa. Por cima de seu caixão acumulavam-se as bandeiras do Brasil, do Estado de Minas Gerais, do PDT, da Mangueira, de alguns Cieps e do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST). Em lugar nobre, uma coroa de flores enviada por Fidel Castro.

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