Corte no orçamento do CNPq afeta pesquisa na UEL
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terça-feira, 02 de abril de 2019
Reportagem local 
O deficit de R$ 300 milhões no orçamento do CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico) poderá comprometer o pagamento de bolsas e a manutenção de projetos acadêmicos em pleno desenvolvimento na UEL (Universidade Estadual de Londrina). O órgão precisa de R$ 1,2 bilhão para honrar compromissos com bolsas e projetos já assumidos para este ano, mas o montante previsto no orçamento de 2019 é de R$ 900 milhões. A informação foi confirmada no final da semana passada pelo presidente do CNPq, João Luiz Filgueiras de Azevedo, em entrevista ao Jornal da Universidade de São Paulo, publicada no site da instituição.
Pesquisadores e coordenadores de grupos de programas de pós-graduação da UEL receberam a notícia sem surpresas, uma vez que já havia rumores de que o principal órgão de fomento à pesquisa brasileira poderia amargar cortes, em um cenário de baixo desempenho da economia.
O reitor da UEL, Sérgio Carvalho, afirmou que a possibilidade de cortes no montante acenado pelo novo presidente do CNPq preocupa toda a comunidade científica do País, uma vez que a agência é a principal fonte de financiamento de pesquisa. "É uma situação dramática e que coloca em risco projetos desenvolvidos a médio e longo prazos, estamos todos preocupados com os efeitos que isso pode provocar", afirmou.
Na avaliação dele, a pesquisa precisa ser considerada como alavanca estratégica de desenvolvimento econômico e social, considerando a formação de mão de obra especializada e os resultados obtidos a partir da inovação e de produtos e serviços.
O pró-reitor de Pesquisa e Pós-graduação em exercício da UEL, Arthur Eumann Mesas, explica que existem 129 professores que recebem bolsas com recursos do CNPq, nas modalidades bolsa produtividade e produtividade em desenvolvimento tecnológico. Outros 299 estudantes de graduação e 44 de ensino médio recebem bolsas de Iniciação Científica e Iniciação Científica Júnior, respectivamente. Para efeito de comparação, o CNPq responde com 47% do total de bolsas concedidas a pesquisadores.
A possibilidade de cortes ameaça não só a concessão dos benefícios mensais, mas a manutenção de projetos. "Não queremos pensar que tudo isso vai ocorrer, é preciso acreditar que é possível reverter", afirmou Mesas. Por outro lado, ele demonstrou preocupação com o fato do presidente do Conselho ser taxativo quanto a não publicação da chamada universal CNPq 2019. De acordo com o pró-reitor, esta negativa afeta jovens pesquisadores que aguardam o edital para buscar recursos para desenvolverem seus projetos.
Como se não bastasse o deficit orçamentário, outro problema relatado pelo novo presidente do CNPq é quanto a infraestrutura da entidade. As plataformas Lattes e Carlos Chagas estão defasadas, operando no limite da capacidade tecnológica e o quadro de funcionários que não para de encolher. Em meio à escassez de recursos humanos e financeiros, Azevedo tem a missão de conciliar o apoio universal à pesquisa científica com as demandas crescentes por inovação tecnológica e priorização de investimentos em áreas consideradas estratégicas pelo governo.


