Corte no orçamento da CNEN vai prejudicar dois milhões de pacientes
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terça-feira, 25 de maio de 1999
Por Roberta Jansen 
Rio, 26 (AE) - O corte de 55% do orçamento da Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN) vai prejudicar cerca de 2 milhões de pacientes. Eles são atendidos com radiofármacos, remédios para tratamento e diagnóstico do câncer que, no Brasil, são produzidos apenas pela CNEN. "Só temos condições de manter a produção por duas semanas", alertou hoje o superintendente de Planejamento e Coordenação da CNEN, Francisco Rondinelli. "Se nada for feito, a partir de junho não temos mais como manter as atividades."
O secretário estadual de Energia, Indústria Naval e Petróleo do RJ, Wagner Victer, encaminhou ofício ao Ministério de Projetos Especiais, ao qual a CNEN é subordinada, explicando a gravidade da situação. "A paralisação da produção terá consequências desastrosas para a população e implicará perda de muitas vidas", disse. Hospitais como o Instituto do Coração (Incor), em São Paulo, podem ser extremamente prejudicados porque a maioria dos procedimentos cirúrgicos cardíacos, renais e cerebrais são antecedidos por exames feitos com radiofármacos.
O corte prejudicará ainda a fiscalização de 2.500 empresas que trabalham com material radiativo e o licenciamento de usinas nucleares, atividades que também são monopólios da CNEN. "Pode aumentar o risco de acidentes como o do Césio 147, em Goiânia", lembrou o secretário. "E pode haver atraso nos processos de licenciamento de Angra 2."
A médio prazo as empresas terão que suspender suas operações porque, sem a fiscalização, não obteriam autorização para funcionar, segundo explicou Rondinelli.
O orçamento da CNEN era de R$ 50 milhões e foi reduzido para R$ 23 milhões, de acordo com decisão publicada no "Diário Oficial" do dia 30 de abril. "Com esse dinheiro não dá nem para manter o custeio", disse Victer. O secretário atribuiu o corte de orçamento a um erro administrativo. "Tenho certeza de que houve uma falha burocrática na elaboração do orçamento; é tão absurdo que não pode ter sido uma decisão política."


