Corte italiana diz que mulher com jeans não pode ser estuprada
Roma, 11 (AE-REUTERS) - O veredito de uma corte italiana declarando que uma mulher não foi estuprada porque estava usando calça jeans provocou protestos hoje (11) em todo o país, com advogados e políticos afirmando que a decisão remeteu a Justiça de volta aos anos 60.
"É de conhecimento geral ... que um jeans não poder ser retirado, mesmo em parte, sem a ajuda da pessoa que o está usando", explicou a corte em seu veredito.
O homem acusado, um professor de auto escola de 45 anos, cujo nome não foi divulgado, alega não ter estuprado sua aluna, de 18, porque ela estava usando jeans no momento do incidende. Ele afirma ainda que ela consentiu em praticar sexo com ele, e os advogados de defesa alegam que não há evidências de violência.
Juízes, advogados e políticos protestaram
"Novamente o jeans, como há 30 anos! É impossível. Até naquela época foi loucura e agora a corte está voltando 30 anos", afirmou a juiza Simonetta Sotgiu em uma entrevista ao jornal La Repubblica.
Ela estava se referindo a um caso de estupro ocorrido em Sardenha no final da década de 60, no qual um juiz determinou que a vítima, que estava vestindo jeans, consentiu em praticar sexo "porque, como é de conhecimento de todos, o jeans não pode ser facilmente retirado (do corpo)".
Em Roma, seis deputadas protestaram em frente ao parlamento, vestindo jeans e carregando cartazes com os dizeres: "Jeans: o alíbi perfeito para o estupro".
"Esta sentença é inaceitável... É um perigoso sinal para todas as mulheres da Itália", afirmou Alessandra Mussolini, uma deputada pela direitista Aliança Nacional. "Nós continuaremos vestindo jeans até que a decisão seja revertida", prometeu.





