Corte israelense condena assassino de adolescente americano
Tel Aviv, 02 (AE-AP) - Samuel Sheinbein ficou calado sobre o assunto por dois anos. Hoje, (02) ele falou apenas uma palavra.
"Sim", disse o impassível adolescente de Maryland quando um juiz israelense perguntou se ele havia estrangulado um conhecido com uma corda e então cortado o corpo com uma serra elétrica e queimado as partes num subúrbio de classe média da capital americana, Washington.
Por um acordo com a justiça israelense que enfureceu promotores americanos, Sheinbein, 19 anos, será sentenciado a 24 anos de prisão numa prisão de Israel pelo assassinato de 1997. Ele provavelmente receberá liberdade condicional depois de 14 anos, contando os dois anos que ele já passou sob custódia israelense. Ele poderia ter recebido uma sentença muito mais dura se fosse condenado como adulto nos Estados Unidos.
Sheinbein fugiu para Israel logo depois de matar Alfredo Tello Jr. em setembro de 1997 e conseguiu evitar sua extradição.
O caso criou tensões entre Israel e os Estados Unidos.
Hoje, Sheinbein olhava fixamente para frente enquanto o veredito era lido.
Apesar de ele ter aprendido algumas palavras em hebraico, Sheinbein precisou que um tradutor lhe dissesse em inglês o que estava se passando. Quando perguntado pelo juiz Uri Goren se ele estrangulou Tello e cortou e queimou o corpo, Sheinbein respondeu "ken", a palavra hebraica para sim.
A sentença só será proferida depois de 11 de outubro, após um assistente social entregar um relatório sobre Sheinbein. O relatório foi requerido porque Sheinbein tinha 17 anos - um menor - na época do homicídio.
O juiz ainda tem considerável espaço e poderia impor uma sentença maior ou menor que o proposto pelo acordo. Entretanto, ninguém que cometeu um crime enquanto menor já foi condenado à prisão perpétua em Israel.
Depois de matar Tello, Sheinbein escapou para Israel, reclamando a cidadania israelense baseado no fato de seu pai ter nascido em Israel. Seu amigo Aaron Needle, também acusado do crime, suicidou-se numa prisão de Maryland.
Um tribunal israelense rejeitou o pedido de cidadania de Sheinbein e considerou aceitar o pedido de extradição dos EUA. O advogado de Sheinbein, David Libai, levou então a questão para a Suprema Corte de Israel, que julgou que sob as leis israelenses Sheinbein não poderia ser extraditado.
Os juízes criticaram a lei, e ela foi posteriormente emendada, mas tarde demais para afetar o caso de Sheinbein.
A comunidade hispânica de Maryland ficou ultrajada com o crime, e também com a recusa de Israel de extraditar Sheinbein. Alguns membros do Congresso ameaçaram cortar ajuda para Israel caso ele não fosse devolvido.
Na corte hoje, Libai disse que não iria postular que Sheinbein teria agido em defesa própria, como o pai do acusado afirmou a um grande júri em Montgomery County, Maryland. Sol Sheinbein tinha dito que Tello tentou roubar Needle e apontou um revólver para ele.
Douglas Gansler, o promotor estadual em Montgomery County, disse hoje que o fato de Sheinbein ter sido julgado em Israel era um "aborto da justiça". Segundo ele, a família de Tello, com a qual conversou na semana passada, estava "resignada, frustrada".





