Corte diz que saída de Arbour não facilitará vida de suspeitos
Haia, Holanda, 11 (AE-AP) - Supostos criminosos de guerra dos Bálcãns não deveriam considerar que o tribunal das Nações Unidas relaxará seus esforços para julgá-los só porque sua principal promotora está deixando o cargo, advertiu hoje (11) a presidente da corte, a americana Gabrielle Kirk McDonald.
A promotora Louise Arbour anunciou ontem que deixará a corte em 15 de setembro para se sentar no Supremo Tribunal do Canadá.
Hoje, McDonald afirmou: "Há alguns que podem ser tentados a comemorar a partida da promotora. Porém, o mandato do tribunal não mudou", disse ela.
Arbour, 52, se tornou internacionalmente conhecida por seu trabalho de investigações de crimes de guerra que originaram dos conflitos que se seguiram ao colapso da ex-Iugoslávia, e recentemente pelas atrocidades cometidas pela Sérvia contra os albaneses étnicos de Kosovo.
Há duas semanas, Arbour chamou a atenção com a acusação controversa do presidente iugoslavo, Slobodan Milosevic, e quatro de seus altos funcionários por crimes contra a humanidade.
A partida de Arbour seguramente causará um sério retrocesso nos tranbalhos do tribunal num momento em que ele está enviando seus investigadores pela primeira vez a Kosovo para juntar evidência de assassinato em massa, estupro e saques contra casas e outras propriedades.
Arbour uniu-se ao tribunal em outubro 1996 em substituição ao juiz sul-africano Richard Goldstone. Antes de partir, ela planeja ainda visitar a Albânia.
Um dos cotados para assumir o lugar de Arbour é o promotor iugoslavo Graham Blewitt. Hoje, ele alertou que na procura por um novo promotor poderá haver resistência de alguns membros das Nações Unidas, particularmente China, contra qualquer candidato de um país de Otan.





