Mesmo sem detalhes dos cortes que o governo Fernando Henrique Cardoso pretende fazer na pesquisa, diretores da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) consideram a medida desastrosa. ‘‘Já estamos perdendo os investimentos por falta de dinheiro antes mesmo de novos cortes’’, lamenta o presidente da entidade, Sérgio Ferreira, que está em Maringá para a 6ª Reunião Especial da SBPC. O que falta para ele é a mudança do modelo econômico do país. O orçamento para a Ciência e Tecnologia é de R$ 1,2 bilhão. ‘‘Bem menos que a ajuda do governo aos bancos, que não traz resultados sociais’’, diz Ferreira.
Ciência, segundo ele, não permite descontinuidade. ‘‘Não é como uma fábrica de automóvel que pode parar a produção por um tempo e depois retomar sem problemas’’. Se isso for feito com pesquisa, os experimentos param, os animais morrem e todo processo é destruído. ‘‘Quando cortam investimentos sobram os jovens, que estão em processo de aprendizado, o que é arriscado para a continuidade dos trabalhos’’, alerta ele. Ferreira diz que o modelo econômico baseado no capital externo, adotado no Brasil, não traz sustentação para o desenvolvimento do país. ‘‘Por isso a falta de importância da pesquisa’’, declarou.
A vice-presidente da SBPC, Glaci Terezinha Zancan, lamenta que os cortes são feitos de forma linear, atingindo todos os trabalhos desenvolvidos com apoio do setor público. Ela defende uma avaliação em cada setor antes de se promover os cortes. ‘‘Foram R$ 50 milhões nas bolsas com a crise da Ásia e outros 13,4% no orçamento de execução na crise russa’’, diz. Glaci lembra ainda que o governo corta por conta, e não por imposição externa. O Fundo Monetário Internacional (FMI), lembra ela, deu total incentivo ao governo da Coréia, quando o país entrou em crise e ampliou os investimentos em pesquisa.Marcos NegriniFalta de
investimentoSérgio Ferreira diz que a Ciência não permite descontinuidade. ‘‘Não é como uma fábrica de automóvel que pode parar a produção e depois retomar sem problemas’’Marcos Zanatta

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