Corte de verbas para o meio ambiente preocupa participantes da Ecolatina
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segunda-feira, 18 de outubro de 1999
Por Ivana Moreira 
Belo Horizonte, 19 (AE) - O crescente corte de verbas para as políticas de Meio Ambiente é hoje uma das maiores preocupações dos especialistas reunidos na Conferência Latino-Americana sobre Meio Ambiente, a Ecolatina 99, em Belo Horizonte. O evento teve início na segunda-feira e será encerrado na quinta. "É uma situação cruel", diz o diretor para América Latina da União Internacional de Conservação da Natureza, Roberto Messias Franco. "Toda vez que é preciso cortar custos, as secretarias municipais e estaduais cortam no Meio Ambiente que é considerado apêndice".
Um dos exemplos citado pelo ambientalista foi o alto indíce de incêndios florestais registrados este ano. "O País pegou fogo". Ele lembrou que houve registro de mais de 14 mil focos de fogo num único dia. "Não foram tomadas medidas fundamentais; não investiu-se em tecnologia, em educação para as áreas de fronteira agrícola", reclamou. Outro problema apontado por Franco diz respeito ao saneamento básico nas cidades brasileiras. Em média, 90% do esgoto urbano é jogado in natura (sem tratamento) no mar e nos rios. Em Belo Horizonte, cidade que sedia o encontro, este indice é de 99,3%.
"Os investimentos em Meio Ambiente não vêm acompanhando às exigências da sociedade", avalia o diretor da União. "À medida que cresce a consciência da importância do meio ambiente, cresce a cobrança por medidas, mas não as verbas". De acordo com o ambientalista, o problema do corte de verbas não ocorre só no Brasil. Levantamentos da entidade mostram situação preocupante também na China, Rússia, áfrica, Indonésia e no Canadá. Com sede na Suíça, a União Internacional foi criada há 50 anos, atua em 120 países e reúne 10 mil cientistas ligados a 700 organizações não governamentais.


