Corte de verbas atinge assistência a dependentes
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quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013
Vitor Ogawa<br>Reportagem Local 
Londrina O trabalho de recuperação de dependentes químicos por meio da internação em entidades conveniadas com a Prefeitura de Londrina está em risco. O problema é causado pela suspensão dos repasses determinada pela administração municipal. Boa parte das instituições está com as contas de água e luz e salários atrasados. Diretores não descartam nem mesmo a possibilidade de fechar as portas. A redução dos repasses foi de 30,64% , passando de R$ 620 mil para R$ 430 mil.
De acordo com Urias França Junior, responsável administrativo do Centro de Assistência e Recuperação de Vidas Morada de Deus, no Jardim Vale Verde (zona sul), o repasse não é feito desde 14 de novembro do ano passado. A falta de verba ocorre por causa de um intervalo entre o fim do convênio federal, que era responsável por custear o tratamento de 20 pacientes, e o início do convênio com a administração municipal.
A despesa mensal é de R$ 1,35 mil por interno. No entanto, nem mesmo o repasse acordado com a prefeitura, que é de R$ 800 por paciente ao mês, vem sendo feito. O restante das despesas tem que ser coberto com doações.
"Mesmo com o fim do convênio federal, o município solicitou que as entidades não interrompessem os tratamentos. Havia promessa de um novo convênio municipal para o começo deste ano. Mas esse convênio não saiu do papel em função do corte de 30% no orçamento", explicou França Junior.
A consequência, aponta ele, é que o rombo financeiro está cada vez maior. "Estamos sem pagar o aluguel há dois meses e atrasando o pagamento das contas de água, luz e gás e o salário dos nossos cinco funcionários. Só o aluguel representa uma despesa de R$ 6 mil mensais", enumerou o diretor, que não descarta a possibilidade de fechar a entidade.
Outras entidades também passam por situações críticas. De acordo com a presidente Marisa Tamarozzi, do Movimento Cristo te Ama (Cristma), no Jardim Mediterrâneo (zona sul), a entidade deveria receber entre R$ 5 mil e R$ 6 mil por mês e que o corte também deve comprometer o atendimento. "Esses recursos seriam suficientes para realizar 300 atendimentos de ajuda mútua e 140 ambulatoriais por mês. Isso pode estar em risco com esses cortes", lamentou.
Problemas semelhantes são enfrentados pela Revide, presidida pelo pastor Márcio Borges Ribeiro. A entidade tem cinco vagas de internação e deveria receber R$ 4 mil por mês, mas está há 70 dias sem repasse. "Nós estamos buscando recursos federais com depósito direto, sem intermediação da Secretaria da Fazenda, para poder contornar essa situação", afirmou.
A vice-presidente do Conselho Municipal de Políticas Públicas sobre Álcool e Outras Drogas (Comad), Marilena Jordão Pescuma, disse que vai convocar uma reunião extraordinária para discutir uma nova divisão dos recursos. Hoje, dez instituições estão cadastradas no conselho: Água Pura, Casa de Maria, Cristma, Morada de Deus, Prolov, Credequia, Meprovi, Resgate, Revide e Núcleo Londrinense de Redução de Danos.
Segundo o Núcleo de Comunicação da Prefeitura, todos os contratos serão avaliados pela Secretaria de Gestão Pública. Sobre os recursos solicitados pelas entidades referentes aos meses anteriores, a informação é que é preciso avaliar se houve atraso da documentação. Acerca da possibilidade de revisão do contingenciamento de recursos para as entidades, não houve retorno até o fechamento.


