Corte de verba vai afetar meta de assentamentos
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 30 de março de 2005
Vannildo Mendes<br>Agência Estado 
Brasília, DF- O ministro do Desenvolvimento Agrário, Miguel Rossetto, disse ontem, em depoimento na Comissão de Agricultura do Senado, que o corte de R$ 2 bilhões no orçamento do setor pode prejudicar a meta de assentar, este ano, 115 mil famílias. Segundo Rossetto, nos primeiros dois anos do governo Lula, só foi possível assentar 117.500 famílias, 81% da meta de 145 mil que havia sido fixada para o período.
O ministro disse, ainda, que o corte orçamentário reduziu em 25% a disponibilidade de recursos para o ministério desenvolver seus programas este ano. Ele acredita, no entanto, que ainda possa recuperar parte dos recursos para evitar maiores danos à reforma agrária.
A revelação preocupou parlamentares, diante da proximidade do ''abril vermelho'', anunciado pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), com ocupações e outras ações em todo o País. Um deles foi o senador Heráclito Fortes (PFL-PI).
Em depoimento, Rossetto descreveu as ações do governo para solucionar conflitos agrários na região amazônica, sobretudo na área de influência da rodovia BR-163 (Cuiabá-Santarém). Entre as medidas está previsto o georreferenciamento (levantamento da situação fundiária via satélite) que, segundo o ministro, vai promover ''a maior regularização fundiária da história do País'' com emprego de equipamentos sofisticados do Sivam (Serviço de Vigilância da Amazônia) e Sipam ( Serviço de Proteção da Amazônia)
Ontem pela manhã, a BR-232 em Caruaru, e a BR-101 no município do Cabo de Santo Agostinho, na região metropolitana do Recife, foram interditadas por cerca de 400 sem-terra e assentados ligados ao Movimento de Libertação dos Sem-Terra (MLST). As interdições provocaram engarrafamentos de três quilômetros em cada trecho, de acordo com a Polícia Rodoviária Federal.


