Corte de quase mil árvores em Porecatu vira caso de polícia
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010
Marian Trigueiros <BR> e Wilhan Santin<BR> Reportagem Local 
O procurador jurídico de Porecatu (85 km ao norte de Londrina), Jonatas César Dias, deve acionar hoje o Ministério Público (MP) do município para esclarecer a derrubada de 980 árvores da espécie Mimosa caesalpineafolia, a popular Sansão do Campo, largamente utilizada para confecção de cercas-vivas, no último sábado, dia 6.
De acordo com o prefeito Walter Tenam, as árvores foram plantadas em setembro do ano passado pela prefeitura para fazer parte do portal de entrada da cidade. ''As árvores estavam às margens da PR-170, bem próximo ao trevo de entrada da cidade, que fica ao lado da Fazenda Rio Vermelho. O corte foi a mando de Eraldo Soares, sogro do apresentador Galvão Bueno, que é o proprietário da fazenda'', afirmou Tenam. Um funcionário da propriedade confirmou ao secretário do meio ambiente do município a autoria da ordem.
O prefeito lembrou que, em dezembro do ano passado, uma tentativa de derrubar as espécies já havia sido realizada. ''Um empregado estava passando com o trator em cima das árvores, mas o secretário do ambiente conseguiu fazer com que ele parasse. Mas, no último sábado, bem cedo pela manhã, derrubaram todas as árvores. E como se não bastasse, jogaram veneno, para matar mesmo. É um absurdo'', afirmou Tenam.
Depois da primeira tentativa, o procurador lembra que o gerente da fazenda já havia comparecido à prefeitura e comunicado que não aceitava o plantio daquelas árvores próximas à propriedade. ''Ele também nos avisou que faria a derrubada das mesmas'', enfatizou. A área de cerca de dez metros de largura, por 600 metros de extensão, fica ao lado da rodovia estadual. Do outro lado da rodovia, outra carreira da espécie também foi plantada. As árvores já estavam com quase um metro de altura.
Quanto à denuncia que fará ao MP, o procurador explicou que considera haver prejuízo financeiro e ambiental ao município. ''Houve um dano ao patrimônio público. A promotoria é o órgão competente para tomar uma atitude neste sentido'', comentou. Além de acionar o MP, o município lavrou uma multa no valor de R$ 178,80 por árvore derrubada, com base na lei 1268/07, do código de postura do município que prevê a infração por corte sem autorização.
Um boletim de ocorrência foi registrado na Polícia Civil de Porecatu no mesmo dia. O delegado Cláudio Marques da Silva, de Cententário do Sul, que cobre férias do titular Elisandro Correia, já iniciou as investigações. ''Que a atitude está errada não se discute. No entanto, hoje, vamos tirar fotos do local e ouvir o secretário do ambiente. Vamos ainda convocar o administrador da fazenda para colhermos o depoimento. Só então poderei analisar para enquadrar como um termo circunstanciado (TC) ou instaurar inquérito para crime ambiental'', explicou.
A reportagem da FOLHA tentou falar com o responsável pela fazenda, Eraldo Soares. Porém, a esposa de Soares, que atendeu ao telefone da empresa da família, disse que tentaria localizá-lo e pediria que o mesmo retornasse às ligações. Isso não aconteceu até o fechamento desta edição. Já o celular do responsável pela fazenda foi atendido por um homem que se identificou somente como Eduardo. Ele afirmou que Eraldo estaria pescando no Estado do Mato Grosso.


