Jerusalém, 17 (AE-REUTERS) - Um aliado político chave do primeiro- ministro Benjamin Netanyahu foi condenado hoje (17) por corrupção num caso que tem aumentado a tensão étnica entre judeus antes das eleições gerais de maio.
A Corte Distrital de Jerusalém, julgando um caso de seis anos, considerou que Aryeh Deri, 40 anos, líder do ultraortodoxo Partido dos Guardiões Sefardistas da Torá (Shas), culpado de corrupção, fraude e quebra da confiança pública enquanto servia no Ministério do Interior.
O interesse público quanto ao destino de Deri era tão grande que o painel de três juízes rompeu com os procedimentos e permitiu que o veredito fosse transmitido ao vivo pela Rádio de Israel.
O carismático político de chapéu preto tem sido fiel da balança em governos de esquerda e direita desde que surgiu na cena política em meados da década de 80.
Shas, o terceiro maior partido de Israel, tem 10 legisladores no parlamento de 120 cadeiras. Netanyahu, que tem ativamente cortejado o Shas em vista das eleições de 17 de maio, disse que seu coração estava com Deri, mas que "o Estado de Israel é um Estado de direito".
Alguns partidários do Shas têm acusado que o processo contra o marroquino de nascimento Deri constitui uma discriminação contra os sefardistas de Israel, judeus originários do Oriente Médio e Norte da áfrica, uma alegação negada pelos autoridades judiciais israelenses.
A segurança dos juízes foi reforçada em meio a temores de uma violenta vingança étnica. Centenas de policiais guardavam a sala do tribunal enquanto o veredito de 917 páginas era lido.
Mas Deri emitiu um pedido pela ordem pública e fora um breve incidente com pneus queimados em Jerusalém, não houve registro de sérios distúrbios.
Ele pode ser sentenciado a 21 anos de prisão, embora que especialistas acreditem que ele não vai receber a pena máxima quando a sentença for anunciada numa data ainda não definida.
Partidários de Deri, vestindo tradicionais casacos pretos, choraram no lado de fora do tribunal quando ouviram a decisão. Alguns cantaram e dançaram numa demonstração de apoio.
Deri jurou não deixar que o veredito comprometa as chances do Shas na eleição, insistindo que seus seguidores iriam de "porta em porta" em busca de apoio.
Mostrando-se abatido enquanto era cercado por repórteres e admiradores, Deri disse: "Olhem para mim e vejam como me sinto".
Na mais séria acusação contra ele, a corte entendeu que há uma década, como diretor-geral do Ministério do Interior e depois ministro do Interior, Deri recebeu propinas de US$ 155.000 de três associados que também foram condenados por corrupção nesta quarta- feira.
O tribunal afirmou que ele usou o dinheiro para pagar por apartamentos e viagens ao exterior, rejeitando sua alegação de que recebeu o dinheiro dos pais adotivos de sua mulher.
O advogado de Deri, Navot Tel-Zur, disse que irá apelar da condenação. A corte marcou uma audiência pré-sentença para 25 de março.

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