Corte de financiamento externo ajuda a reduzir importações
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domingo, 21 de março de 1999
Por Liliana Enriqueta Lavoratti 
Brasília, 22 (AE) - Além da diminuição na produção industrial e da livre flutuação do câmbio, a redução das linhas externas de financiamento também contribuiu para a queda das importações em janeiro em relação ao mesmo mês de 1998. Na comparação entre os dois meses, apenas as compras à vista cresceram 6,61%, de acordo com o "Relatório das Importações" elaborado pela Receita Federal.
As demais compras externas no primeiro mês da desvalorização do real, ao contrário, apresentaram queda: as financiadas em até 180 dias decresceram 21,75%; as de 180 a 360 dias foram 49,44% menores; e as com prazo de pagamento superior a 360 dias caíram 33,27%, apesar de a taxa de juros externa ter sido inferior à interna.
No total, as importações em janeiro foram de US$ 3,7 bilhões, 18,65% abaixo do volume registrado em igual mês do ano passado.
Ao detalhar as importações, a Coordenação Geral de Tecnologia e de Sistemas de Informação da Receita Federal conclui que o crescimento das compras à vista resultou da redução das linhas externas de financiamento, decorrente da crise financeira mundial.
O documento diz ainda que "a mudança na política cambial e a elevada taxa de juros doméstica também colaboraram para a queda das importações. Ficou mais difícil importar a taxas de juros inferiores às do mercado nacional".
Essa tendência verificada a partir de 15 de janeiro último, quando o Banco Central substituiu o regime de bandas cambiais pela livre flutuação, teve continuidade em fevereiro e março, e deverá permanecer por vários meses, segundo o relatório.
Elaborados - As importações de produtos elaborados foram as mais afetadas - caíram 36,08% contra igual mês de 1998. Os semi-elaborados registraram a segunda maior queda (17,91%) e os primários decresceram 15,2%.
O "Relatório" constata que a queda nas importações teria sido mais significativa não fosse o crédito fornecido pelas montadoras para o financiamento das compras de automóveis, que incentivou a demanda externa por automóveis e suas partes e peças, e por diversas partes e peças para fabricação interna.
Mesmo assim, as importações de automóveis de passageiros - que antes vinham ocupando as primeiras posições dos itens da pauta com maior alta - recuaram 32,22% ante janeiro de 1998, dando continuidade ao desaquecimento nas vendas de veículos estrangeiros no mercado interno registrado a partir de dezembro último. Foi o segundo item de maior variação negativa entre os vinte, só perdendo para o petróleo (menos US$ 153,9 milhões).
Também foram menores as compras externas de óleo de petróleo ou de materiais betuminosos, veículos para transporte de mercadorias e de até dez pessoas, máquinas e aparelhos elétricos com função própria, motores de pistão e de ignição por compressão, instrumentos e aparelhos para medicina e cirurgia. Já os medicamentos, foram os que tiveram a maior alta (US$ 32 milhões), seguidos de aparelhos transmissores para radiotelefonia, partes de aparelhos de som.
O processo de modernização do parque industrial também impediu uma queda maior das importações, ao pressionar a demanda por bens de capital estrangeiro, como as máquinas automáticas para processamento de dados e os aparelhos mecânicos com função própria, entre outros.
O aumento das compras externas de alguns produtos agrícolas para contrapor a redução na oferta interna em consequência do excesso de chuvas no Sul e a seca no Nordeste, também evitaram uma queda mais acentuada das importações no primeiro mês da desvalorização do real.
O acordo do governo brasileiro com o Fundo Monetário Internacional (FMI), revisado recentemente, prevê que a balança comercial neste ano terá um superávit de US$ 11 bilhões. Para isso, as importações terão de cair 21% em relação ao ano passado
e as exportações, crescerem 10,5%.


