Corte da Turquia condena à morte vice de Ocalan
Ancara, 20 (AE-AP) - Um tribunal especial de segurança da Turquia condenou, hoje (20), à pena de morte o segundo homem no comando do movimento rebelde curdo, Semdin Sakik, após considerá-lo culpado de centenas de assassinatos e incitação ao separatismo.
A sentença de Sakik, que já foi o principal assessor do líder curdo Abdullah Ocalan, foi vista como um claro sinal de que Ocalan, capturado no início do ano na áfrica e que será julgado sob as mesmas acusações, também poderá ser condenado à pena capital.
"Se Sakik é o número dois e Ocalan é o número um, está clara qual será a próxima sentença", afirmou Ahmet Zeki Okcuoglu, principal advogado do líder curdo. O início do julgamento de Ocalan está marcado para 31 de maio na prisão insular de Imrali.
Sakik, de 40 anos, foi capturado por soldados turcos no norte do Iraque no ano passado. Ele foi responsabilizado pela morte de quase 300 pessoas em ataques realizados pelos rebeldes do Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK), que luta pela autonomia do povo curdo no sudeste da Turquia e partes do Iraque
da Síria e do Irã.
Como comandante supremo do PKK, Ocalan é acusado pela morte de 37.000 pessoas, tanto do lado curdo como do lado turco, desde que o conflito começou, em 1984.
Sakik chefiava as operações do PKK dentro da Turquia e rompeu com Ocalan, de quem era vice, poucos meses antes de sua captura.
O irmão de Sakik, Arif, também foi condenado à morte por incitar ao separatismo. Ele foi julgado em Diyarbakir, a maior cidade do sudeste da Turquia, o reduto do PKK.
Os dois irmãos têm o direito de apelar contra a sentença.
Embora emita as sentenças, a Turquia não executa nenhum condenado desde 1984 e a aplicação da pena de morte tem que ser aprovada pelo Parlamento.





