Corte condena escravocratas franceses Do correspondente Gilles Lapouge
Paris, 21 (AE) - Existem garotas escravas na França, em 1999! Pelo menos de acordo com um tribunal de Paris, que vai requerer a pena de um ano de prisão fechada e perda dos direitos civis para um casal de classe média formado por um francês e uma mulher das Ilhas Maurício.
A jovem escrava é uma africana do Togo, que trabalhou quatro anos na casa do casal sem jamais ter sido registrada, sem um dia de férias, sem receber um tostão e sem nenhuma folga.
Questões como essa têm precedentes. Um comitê contra a escravidão - por sorte, raramente isso ocorre - chega para salvar uma jovem garota empregada em condições indignas e ilegais. O mais comum é que os "patrões" desses "escravos" pertençam ao corpo diplomático: cônsul de um país do Golfo, ou da ásia, etc. Recentemente, foi condenada uma dama malgaxe que explorou uma de suas compatriotas.
Se a tarefa se torna mais difícil particularmente hoje em dia, é por causa da personalidade dos patrões. O homem, um francês, não é um qualquer: é Vincent Bardet, empregado na editora Le Seuil e filho do fundador, já falecido, dessa editora. A editora de Le Seuil, brilhante editor, foi na origem um ponto da "esquerda cristã". Mais tarde, ela se tornou mais abrangente, mas sua impregnação "cristã de esquerda" continua. No mais, o homem hoje acusado foi considerado um humanista. Ele chegou mesmo a participar de uma conferência sobre a escravidão no Benin.
Bardet nega tudo: se não registraram a jovem togolesa foi porque não queriam aborrecimentos com a administração francesa por causa da burocracia. "Se nunca a pagamos é porque a jovem"
disse Bardet, "era como uma amiga da família, comia na mesma mesa, etc..."
Mas, respondem os advogados da pequena togolesa, ela até dormia no chão do quarto das crianças para tomar conta delas sem interrupções. Nunca saiu de casa. Nem mesmo podia ir à missa.
O tribunal aceitou a acusação. Mas o julgamento só ocorrerá dentro de dez dias. E agora, as dúvidas: algumas pessoas argumentam que o comitê contra a escravidão, dominado pelo seu ideal, deixa-se algumas vezes iludir pelas jovens empregadas.
Como decidir? A questão é muito grave, muito desprezível, se os fatos forem comprovadamente ignorados. Mas espera-se que, no caso de a condenação de um ano do casal ser confirmada dentro de dez dias, que isso ocorra ao fim de uma investigação rigorosa e irrepreensível.





