Corrupção: secretarias e Prodam serão investigadas
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domingo, 07 de março de 1999
Por Marcus Lopes 
São Paulo, 08 (AE) - A polícia investigará denúncias de corrupção em várias secretarias municipais e na Companhia de Processamento de Dados do Município (Prodam). A medida foi anunciada hoje pelo promotor José Carlos Blat, do Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público Estadual (MPE). Os trabalhos serão conduzidos pelo delegado Itagiba Franco, da Divisão de Proteção Comunitária (Diprocom) da Polícia Civil.
A princípio, serão investigadas denúncias referentes às Secretarias do Abastecimento, da Saúde, Habitação e da Companhia de Processamento de Dados do Município (Prodam). "Enviaremos as denúncias que chegaram ao Ministério Público, isoladamente ou pelo disque-denuncia", disse Blat. Ele não adiantou quais seriam as denúncias, mas parte delas estariam ligadas a órgãos como o Plano de Atendimento à Saúde (PAS) e órgãos das secretarias ligados à fiscalização. "Alguns vereadores estariam controlando esses órgãos", disse Blat, sem, no entanto, envolver o nome de políticos.
De acordo com o promotor, as administrações regionais continuarão sendo investigadas pelos delegados Romeu Tuma Júnior e Naief Saad Neto. "Nosso objetivo é colaborar", disse o delegado Franco, que não adiantou detalhes do trabalho. "Estou começando hoje", justificou. Ele contará com uma equipe de 25 policiais.
O secretário de Comunicação Social da Prefeitura, Antenor Braido, informou que não há problemas no fato de secretarias serem investigadas. Ele acrescentou que o prefeito Celso Pitta (PPB) criou hoje, por decreto, a Corregedoria do Serviço Público Municipal. Prisão - João Augusto da Rocha, chefe de apreensão da Administração Regional de São Miguel Paulista, foi preso hoje à tarde pelo delegado Naief Saad Neto. Ele será indiciado por concussão. Rocha é suspeito de participar de supostos esquemas de cobrança de propinas na região.
Hoje, o vereador Cosme Lopes (PPB) deu uma entrevista coletiva na frente do Departamento de Identificação e Registros Diversos (Dird). Ele é suspeito de participar de um esquema de cobrança de propinas no Jaçanã, zona norte da cidade. As denúncias envolvem as empresas Labitare, acusada de abertura de loteamentos clandestinos na região.
Nos computadores da empresa, foram descobertos lançamentos financeiros para dois ex-funcionários do vereador, Carlos Roberto Machado e Wilson Roberto Fernandes. Os dois, segundo o vereador, foram demitidos após a publicação das denúncias pelo jornal "Diário Popular, no início de fevereiro.
Lopes nega envolvimento no suposto esquema. "Nunca recebi qualquer coisa", declarou. Em relação a votação da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) das administrações regionais, Lopes afirmou que mudou seu voto porque temia a transformação da CPI em "palanque eleitoral". Defesa - O advogado do vereador Vicente Viscome (PPB), José Guilherme Raimundo, também compareceu ao Dird. Mais uma vez, negou o envolvimento do vereador com o esquema de corrupção na regional da Penha. Segundo ele, as anotações na agenda de Tânia de Paula, assessora do vereador que está presa desde a semana passada, referiam-se a negócios em comum entre a assessora e Viscome. O advogado disse ainda que os depoimentos das testemunhas deveriam ser mantidos sob sigilo. Segundo ele, isso evitaria a divulgação de informações precipitadas.


