Corrupção continua cuidando dos negócios na França Do correspondente Gilles Lapouge
Paris, 29 (AE) - O nome de um ministro de Lionel Jospin, do poderoso e brilhante Dominique Strauss-Kahn, que cuida de finanças e economia, está sendo insistentemente citado a propósito de um caso de corrupção. Trata-se de um fundo mútuo de estudantes que, há alguns anos, teria feito estranhas acrobacias cujos beneficiários seriam frequentemente os socialistas.
Assim, a corrupção continua habilmente cuidando dos negócios... No final do governo de Mitterrand, o Partido Socialista estava no coração de todos os "negócios". Depois foi a vez da direita, que foi e ainda hoje está sendo perseguida pela justiça (cédulas falsas de votação na prefeitura de Paris, apartamentos distribuídos aos companheiros, etc.). Hoje , surge um novo foco dessa peste. E atinge uma vez mais os socialistas.
O ciclone que se anuncia é muito mais preocupante porque o governo socialista de Jospin se proclama virtuoso e rompeu com os velhos métodos obscuros de Mitterrand. Jospin, homem correto, severo, rigoroso, proclamou-se o "anti-Mitterrand" e o é de fato. Realmente, Jospin está acima de qualquer suspeita. Mas em torno do primeiro-ministro - entre os socialistas e talvez mesmo entre os ministros de Jospin - há pessoas que parecem tão favorecidas quanto a ditreita pelas comissões, pelas luvas e pelos negócios por baixo do pano. A herança de Mitterrand parece estar sendo respeitada.
Os socialistas de Jospin estão numa situação detestável. Há dois anos, eles dão lições de moral e com o vaidoso sorriso da virtude, mas agora descobrimos, em sua própria casa, alguns compartimentos meio nauseabundos.
O fato de que o chefe da casa (Jospin) e a maior parte dos seus estejam acima de qualquer suspeita não impede que o estrago seja profundo.
A desventura do Partido Socialista é apenas o modelo reduzido de outra desventura, muito mais grave: a de toda a França. Este país goza de grande reputação no mundo por causa das lições de dignidade, de moral, de bons costumes, de verdade, de respeito aos direitos humanos, que ele prega em toda a parte.
Ora, o recente relatório da organização não-governamental (ONG) "Transparency" arruinou as pretensõpes da França à santidade. Seja na qualidade de "corruptor" ou de "corrompido", a França figura, juntamente com a Itália e o Japão, entre as nações desenvolvidas mais afetadas por este mal.
A França é colocada no mesmo plano que a Espanha, mas figura bem atrás do Reino Unido, da Alemanha e até dos Estados Unidos. A palma da virtude é atribuída, como sempre, aos nórdicos (Dinamarca, Suécia, Finlândia, Canadá, Islândia, Holanda, Noruega).
Entre os mais corrompidos, descobrimos a China e a Rússia e muitos dos países subdesenvolvidos: Indonésia, Nigéria e Camarões.
O flagelo é mundial. A Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE) elaborou em 1997 uma Convenção que prevê pesadas penas financeiras (exclusão dos grandes programas internacionais, sanções nos mercados de ações, etc.). A França não ratificou esta Convenção. É verdade que este "código" é perigoso enquanto não for ratificado e respeitado por todos os países. Enquanto não houver isso, os países que se comprometerem com a virtude, serão punidos de maneira insuportável por seus concorrentes corrompidos.
Todos sabem que não se pode assinar grandes acordos comerciais com certos países a não ser ao preço de pagamentos ocultos. Na Rússia, existe o costume tácito de distribuir de 5% a 10% de comissões em todos os grandes acordos comerciais. O mesmo acontece na China, na Indonésia, nas antigas democracias populares. Isso quer dizer que se alguém se recusar, quem ganhará o negócio será seu concorrente. Na Arábia Saudita, o sistema está institucionalizado: todo contrato deve ser obrigatoriamente negociado com um agente comercial do país, em geral um membro da familia real. A corrupção se parece muito com a Hidra de Lerna: é inútil cortar todas suas mil cabeças, pois elas sempre tornam a brotar.





