A Polícia Federal deslocou esta semana um grande contingente para a área indígena Roosevelt, nas proximidades de Cacoal (RO), para conter a entrada de centenas de pessoas que estão chegando de outras regiões do País para explorar um garimpo de diamantes recém-descoberto. A Fundação Nacional do Índio (Funai) não tem mais controle sobre a situação, que pode se agravar ainda mais nos próximos dias. A área é habitada por cerca de dois mil índios cinta-largas.
Segundo fontes da PF e Funai, que estavam mantendo o caso em sigilo para evitar a entrada de novos garimpeiros, a situação pode se agravar ainda mais nos próximos dias. ‘‘Se isso acontecer, o controle será impossível. A área é muito grande’’, informou um funcionário da Funai. Até agora, nenhum órgão do governo sabe exatamente quantos garimpeiros já estão dentro da reserva.
Os garimpeiros começaram a chegar nas terras dos índios cinta-largas há dois meses. Segundo levantamentos preliminares da PF, alguns índios permitiram a entrada, mas a situação saiu do controle depois que a notícia sobre os diamantes se espalhou entre Mato Grosso e Rondônia.
Ontem, agentes federais fizeram um sobrevôo para averiguar onde o problema está mais acentuado e a Polícia Federal já planeja, ainda para este mês, uma operação de retirada dos garimpeiros. Segundo um delegado da PF, a região pode se tornar problemática como ocorreu em Roraima, na área dos índios ianomamis, invadida para a exploração de ouro.
Na região de Cacoal, próximo a Mato Grosso, sempre foram registrados conflitos entre índios e brancos. Durante a década de 70, houve atritos entre o grupo suruí e colonos que estavam começando a desbravar o hoje Estado de Rondônia. Na mesma época, confrontos entre a tribo uru-eu-uau-uau e moradores de projetos de colonização resultaram em centenas de mortes.
Apesar do suposto consentimento de alguns índios, autoridades policiais do Estado não acreditam que todo o grupo cinta-larga concorde com a exploração do garimpo de diamantes. Isso pode gerar um novo conflito caso não haja a interferência imediata da PF e Funai.

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