O Brasil conta com aproximadamente 32 mil pessoas na fila de espera para receber órgãos ou tecidos para transplantes. Na região de Londrina, são cerca de 500. Como fazer essa fila andar de forma mais rápida e efetiva? Sem dúvida, a conscientização é peça-chave. E foi com uma estratégia muito interessante – através da corrida de rua – que centenas de pessoas entre corredores, pacientes, transplantados e a comunidade se reuniram ontem pela manhã, no Aterro do Lago Igapó 2, para fortalecer essa causa.
A caminhada e corrida foram promovidas em comemoração ao Dia Municipal do Doador de Órgãos e Tecidos, sancionada no ano passado na cidade, exatamente no mesmo dia que é celebrado o Dia Nacional. O evento fechou a programação do Setembro Verde, que mobilizou a população acerca da importância do tema, inclusive com ações em hospitais de Londrina e outras cidades, como Arapongas, Apucarana e Bandeirantes. O encerramento da campanha contou com muita animação, coral, alongamento e a presença de alunos e professores das área de fisioterapia e nutrição da UniFil, que passaram dicas de saúde aos participantes da prova.
A coordenadora da Comissão Regional de Procura de Órgãos, Ogle Bacchi de Souza, explica que a corrida está no cotidiano das pessoas, relacionada à qualidade de vida e ajuda a promover a doação de órgãos de forma mais leve. "A ideia foi deslocar a reflexão sobre a doação para momentos como esse, em que se remete à vida, à saúde, e não ficar apenas naquele cenário de hospital, quando se recebe a notícia da morte de um parente querido e fica mais complicado refletir acerca do assunto", ressaltou.
De acordo com Ogle, os números acerca da doação na região melhoraram significativamente, mas é possível evoluir ainda mais. Este ano, nos 99 municípios que abrangem a Comissão, foram registrados mais de 40 doadores de múltiplos órgãos, melhor número desde 2012. "Entretanto, no primeiro semestre foram 111 mortes de pacientes por morte encefálica, ou seja, o número de doações poderia ser maior que o dobro. A fila é contínua e crescente, sempre vai estar lá, mas podemos torná-la menos dura e angustiante", destacou.
O bancário aposentado Richardison Pereira de Moura, de 67 anos, foi um desses pacientes que amargou a fila, à espera de um fígado. Ele contraiu hepatite C através de uma vacina e a cirrose consumiu 70% do seu órgão. "Fiquei 11 meses na fila e foi angustiante, é algo terrível. Recebemos a notícia trágica que vamos morrer e a única chance é o transplante. Esse tipo de evento é muito importante para que as pessoas se conscientizem sobre o assunto", destacou ele, animado para começar o percurso com uma faixa com os dizeres: "Sou transplantado hepático. Seja doador".

CONSCIENTIZAÇÃO

O gestor imobiliário Ailton José Ferreira contou à reportagem que a esposa dele precisa de uma doação de rim. Ele fez mais de 40 exames para verificar a possibilidade de ser doador, mas ainda está na expectativa se vai ser viável o transplante. "Muitas vezes, o paciente que necessita do transplante fica com receio de pedir para alguém da família. As pessoas que estão em torno do paciente precisam estar cientes da importância do assunto e dispostos a ajudar", salientou.
Mesma opinião da diretora de escola Francielle Carvalho e da cabeleireira Paula Caroline de Faria, que começaram praticar corrida há pouco tempo. "Esse tipo de ação é muito importante. As pessoas precisam estar sensibilizadas para que no momento da decisão de doar, seja algo tranquilo", disse Francielle. "É preciso deixar claro para a família a vontade de ser doador. Olhar para o próximo, se solidarizar com a situação difícil dos que estão nesta situação é essencial", complementou Paula.

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