Corrida de rua reúne comunidade do Novo Amparo
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domingo, 07 de dezembro de 2014
Vítor Ogawa<br>Reportagem Local 
Londrina - A Associação Mãos Estendidas (AME) realizou na manhã de ontem a 3ª Corrida de Rua do Novo Amparo. O evento já está se tornando uma tradição no calendário da cidade e reuniu cerca de 200 pessoas de várias idades. A montagem da estrutura começou às 7 horas e, em seguida, os próprios alunos da comunidade começaram a ajudar a colocar as bexigas, pintar as faixas e organizar tudo para que a corrida iniciasse duas horas depois. Segundo a coordenadora da AME, Viviane Kawasaki, até esse processo de organização da prova ajuda as crianças a se sentirem parte de algo que movimenta a comunidade. De acordo com ela, a corrida colabora para a integração do bairro, que possui uma população de baixo poder aquisitivo e enfrenta a falta de estrutura e de equipamentos de lazer.
EXEMPLOS
Para inspirar as crianças, dois atletas profissionais foram ao local para relatarem suas histórias de vida, que possuem várias semelhanças com as das crianças do Novo Amparo. Alexandre Melo, de 19 anos, já foi campeão sul-americano do salto triplo, e Douglas Moraes, de 24, foi campeão dos Jogos Abertos do Paraná no salto em distância. Eles revelaram que suas potencialidades foram descobertas em eventos semelhantes a essa corrida de rua e que também passaram por privações no começo de suas carreiras esportivas. Ambos relembraram dos tempos em que não possuíam nem o dinheiro da passagem de ônibus para ir treinar. "Foi um período bem difícil", relembra Moraes.
Uma cria da AME é a atleta de arremesso de peso Grazielle Ribeiro, de 13, que depois de se destacar nas oficinas da entidade, foi encaminhada para treinar atletismo na Universidade Estadual de Londrina (UEL) e se tornou uma atleta de arremesso de peso. "Eu fui campeã paranaense pré-mirim e também fui finalista dos Jogos Escolares da Juventude, que reuniu atletas do Brasil inteiro", destaca. "Espero que essas crianças que estão aqui também ganhem alguma coisa algum dia".
Para a presidente da AME, Cristiana Maria Bastos Vezozzo, a AME existe para essas crianças e são nesses momentos que ela sente que a missão está sendo cumprida. "Nessas horas fazemos um balanço de como cresceu a participação das crianças no projeto. Fazemos isso para que as crianças desenvolvam todas as suas potencialidades, tanto no campo da cultura como do esporte, e também trabalhamos o lado lúdico".
PROVA COM PAIS
Além das provas voltadas para as crianças e adolescentes, a organização reservou espaço para provas em que os pais e mães disputaram junto com os filhos. O auxiliar de serviços gerais Anderson de Aquino Ferreira, de 36, foi um deles. Ele disputou uma corrida na companhia de seu filho Rodrigo Gabriel, de 9. "Nós, como pais, temos que dar motivações para nossos filhos. Além disso, é uma forma de me divertir com o meu filho e de nos integrarmos com a comunidade".
Outra dupla foi a do graniteiro Roger Willian da Silva Prado, de 26, e de seu filho Caio Guilherme, de 6. "Participar dessa prova é bom para nos exercitarmos. Assim podemos mostrar a nossos filhos a importância de se praticar esporte. O esporte pode tirar as pessoas das coisas erradas", ressalta.


