Corrida contra o tempo para preservar a biodiversidade
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terça-feira, 21 de março de 2006
Erika Zanon<br> Equipe da Folha 
Cada minuto que passa representa um pouco menos da biodiversidade terrestre e marinha. Atualmente, apenas 10% das florestas do planeta permanecem como florestas primárias. Mapas e relatórios apresentados ontem pela organização não-governamental ambientalista Greenpeace, durante a 8 Conferência das Partes da Convenção Internacional da Diversidade Biológica (COP-8), identificam as últimas áreas intactas de florestas e oceanos. Os estudos revelam a necessidade, urgente, da criação de uma rede global de áreas protegidas para barrar essa perda. O Brasil ainda conta com uma das maiores áreas preservadas.
O estudo aponta ainda que o ritmo atual de extinção de espécies de plantas e animais é aproximadamente mil vezes mais rápido do que o estimado para períodos anteriores à existência da espécie humana. ''A vida na terra passa por uma crise e temos pouco tempo para recuperar algumas áreas'', afirmou Christoph Thies, coordenador da campanha de florestas do Greenpeace Internacional. Até 2010, prazo estabelecido pela ONG, as metas são aumentar as unidades de conservação e regularizar setores industriais que exploram os biomas.
Os relatórios do Greenpeace também darão subsídios aos conferencistas para que sejam definidas essas áreas protegidas, tanto terrestes quanto marinhas. ''Também vamos pleitear recursos, e não só com o poder público mas também com o setor privado. Há uma necessidade de investimentos. O próprio governo brasileiro prometeu ajuda financeira, mas o dinheiro não foi liberado'', reclamou Marcelo Furtado, diretor de campanha do Greenpeace Brasil.
Anualmente a ONG trabalha com recursos na ordem de US$ 7 bilhões, provenientes basicamente dos países doadores do G-7. ''Seria necessário um acréscimo de mais US$ 25 bilhões por ano, para até 2010 conseguirmos implantar nossos projetos'', disse Furtado.
No bioma marinho, por exemplo, um dos projetos prevê o estabelecimento de redes de proteção contra a sobrepesca, a pesca predatória, atividades de mineração e poluição, conforme afirmou Callum Roberts, do Reino Unido.
Segundo o especialista em Oceanos, a primeira medida a ser tomada é uma moratória contras as pescas. ''Em um primeiro momento a indústria pesqueira sofrerá um impacto econômico. Porém, queremos mostrar que as medidas de preservação e criação de reservas marinhas vai acabar contribuindo com o setor já que haverá um refúgio para as espécies se reproduzirem'', completou Roberts.


