São Paulo, 20 (AE) - O ministro da Fazenda, Pedro Malan, disse hoje que quem está procurando proteção no câmbio pode acabar tendo prejuízo. Para o ministro, há um excesso de pessimismo no mercado e os investidores estão tendo um "comportamento de rebanho" que não se justifica. "Não vejo razões nos fundamentos da economia brasileira para esse movimento", disse, falando da cotação do dólar, que hoje chegou a R$ 1,99 no fim da manhã.
Malan disse que espera que o "bom senso" prevaleça. "Eu queria chamar atenção para aqueles que talvez não estejam avaliando ainda corretamente o que é um regime de taxas flutuantes e estão fazendo hedge a estas taxas, pois é possível que venham a ter algum prejuízo", acrescentou.
Ele repetiu várias vezes que não vê razão nos fundamentos da economia brasileira para essa alta no dólar e acha que o mercado está exarcebando as preocupações com movimentos como o dos agricultores e da marcha dos 100 mil.
Durante palestra em seminário promovido pelo Grupo IOB, Malan procurou demonstrar confiança nos rumos da economia brasileira e no apoio do Congresso Nacional para a aprovação das reformas. O ministro disse que o governo já cumpriu as metas fiscais acertadas com o Fundo Monetário Internacional (FMI) nos últimos três trimestres e voltará a fazê-lo em 30 de setembro e nos próximos dois anos. "Na sexta-feira, quando enviarmos o Orçamento de 2000 para o Congresso Nacional, o compromisso com o superávit fiscal vai ficar claro."
O ministro reconheceu que a economia brasileira possui "vulnerabilidades" e a percepção delas acaba contagiando o mercado em determinados momentos. "Mas elas nunca foram negadas ou escondidas por este governo", afirmou. Segundo ele, o mercado as percebe e "às vezes, como agora, deixa-se levar pelo instinto de rebanho e age com excesso de pessimismo, assim como outras vezes age com excesso de otimismo".
Malan concordou com a avaliação de que parte da elevação do câmbio decorre da preocupação do mercado com sinais de desarticulação na base política do governo. Mas, segundo ele, é errada a leitura de que o Congresso Nacional não vai aprovar as reformas necessárias, como a tributária e a da Previdência e a Lei de Responsabilidade Fiscal.
Segundo Malan, o mercado de câmbio hoje movimentou um volume muito pequeno e faz enorme diferença quando se tem um grande ou um baixo volume de transações.
Fiesp - O presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Horácio Piva, acredita que o dólar pode estabilizar-se em R$ 1,90, "que é bem alto". Piva acredita que o dólar não vai ultrapassar a barreira de R$ 2, mas mesmo se ficar estável no nível de ontem "pode provocar uma pressão inflacionária sobre o mercado".
Ao contrário de outros momentos, quando já defendeu a troca do ministro da Fazenda, Piva disse apoiar o ministro. "Não acho que o Malan deva sair; me opus à política monetária dos últimos cinco anos, mas começo a perceber no governo a palavra desenvolvimento com mais frequência", afirmou.
Na avaliação do presidente da Fiesp, a alta do dólar foi provocada por "insegurança dos agentes internos e externos, boatos sobre a saída de Malan, preocupações com o resultado da balança comercial este ano e com a elevação da taxa de juros". Nesta situação, diz, o desemprego cresce e a economia não reage como deveria.

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