Rio, 09 (AE) - A corretora japonesa Nikko Securities, ex-sócia do Banco Marka do empresário Alberto Cacciola, decidiu encerrar suas atividades no Brasil na semana passada por considerar que sua imagem ficou muito associada ao escândalo financeiro do início do ano. Na época, o Marka foi acusado de ter sido beneficiado em uma operação de compra de dólares do Banco Central durante a desvalorização cambial de janeiro.
A corretora começou a operar no Brasil em associação com o Banco Marka em 1998, criando a gestora de recursos de terceiros Marka Nikko Asset Management. A administradora sofreu o baque final durante a alteração no câmbio, quando seus fundos tiveram grandes perdas, com algumas aplicações chegando a ter retorno negativo de 30%.
A sociedade com o banqueiro Cacciola trouxe graves problemas para a corretora japonesa. As investigações apontaram o Banco Marka como uma dos quatro instituições que estariam dentro de um esquema de informações privilegiadas junto ao Banco Central. Os outros bancos eram o Boavista, o FonteCindam e o Pactual. A situação ficou mais crítica quando se descobriu que o presidente do Marka Nikko, Francisco de Assis Moura, sacara cerca de R$ 2 milhões da instituição dias antes da desvalorização do real.
Durante o escândalo financeiro, a Nikko terminou a sociedade com o Banco Marka e transferiu suas atividades para São Paulo. Para isso, contratou um grupo de executivos para administrar suas operações no Brasil. Entre eles, João Luís Mascolo e Benjamin Lemos, ex-profissionais do ABN Armo Asset Management.
Apesar da estrutura montada, a corretora japonesa cancelou seu projeto e deixar o País. Para isso, a Nikko teve que ressarcir os seis executivos e transferiu para eles também o acordo operacional que a instituição tinha com a Barra, empresa americana de tecnologia de investimento. A companhia havia elaborado para um grupo de 10 bancos e dois fundos de pensão um modelo de gestão de recursos adaptado especialmente para o Brasil.
Os executivos usaram o dinheiro da Nikko para entrarem de sócios na Síntese Administradora de Recursos, com participação de 40% do capital. Os donos atuais mantiveram 30% e a companhia imobiliária inglesa James Andrew Internacional comprou 20%. O restante ficou com o ex-presidente da Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM&F), Manuel Francisco Pires da Costa, executivo do Banco Patente.
Já o presidente da corretora japonesa no Brasil, Nobuo Kikugawa, preferiu permanecer no País e será o principal executivo da nova Síntese Administradora de Recursos de Terceiros. O valor da operação girou em torno de R$ 2 milhões e a nova empresa inicia suas atividades este mês com um carteira de R$ 110 milhões em fundos de investimentos.

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