São Paulo, 20 (AE) - Edmo Willian Sassaki Sato foi enterrado hoje à tarde no Cemitério Parque dos Girassóis, na zona sul. Momento de reflexão e de revolta para seu pai, o corretor de seguros Édimo Massato Sato. "Eles (os assassinos) não podem ter a moleza de sempre e há de chegar o dia em que vão comer grama também", desabafou. "Não pode haver só a vez dos carneiros, uma hora acontecerá o mesmo com os lobos".
O corretor disse que vem acompanhando o noticiário sobre a criminalidade que assola a cidade. "Mas nunca imaginava que ia acontecer com meu filho", afirmou, frisando que o estudante não frequentava lugares perigosos e escuros, não era de criar confusão e jamais economizava em condução. "Sempre falava para ele levar alguma coisa a mais, até para o caso de pedirem". Quando o carro do rapaz foi para a oficina, para reparos na lataria, a família ficou apreensiva com as notícias de assaltos a cobradores de ônibus.
Ontem, passava das 23h30 e ele não chegava. A preocupação aumentou. Logo o telefone tocou e veio a má notícia. Sato disse ser improvável que seu filho tenha esboçado alguma reação. Ele acredita que o rapaz estivesse até dormindo no ônibus - ao chegar ao Terminal do Jabaquara, teria ainda de pegar outra condução. Apesar dessa experiência, Sato e a mulher, pais também de uma moça de 24 anos que faz odontologia, de um rapaz pré-vestibulando de 19 e de um de 17, aluno de processamento de dados, não pretendem deixar a cidade. "Não dá para não sair de casa".
O corretor disse ainda que é natural que prefeito e governador sintam-se seguros, já que andam sempre com um aparato de segurança à volta deles. Ele acredita que a mesma voracidade para aplicar multas de trânsito deve ser usada na questão da segurança, pois o sentimento atual é de inferioridade em relação aos bandidos. "Será que não existem pessoas para fazer alguma coisa?" Culto - A emoção tomou conta do culto evangélico ministrado por um pastor da Igreja Holiness da Liberdade, antes do enterro do rapaz. Muitos de seus amigos compareceram. "Não dá para entender isso; ele nunca brigou com ninguém", disse Iara Cristina da Luz, de 21 anos, amiga de infância que só deixou de estudar com ele depois que optaram por carreiras diferentes. O rapaz chegou a prestar vestibular para odontologia, mas acabou escolhendo engenharia. Pretendia especializar-se em telecomunicações. (F.G.)

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