Não é só colocar qualquer par de tênis nos pés e sair por aí para praticar corrida. Sem fazer exames médicos ou procurar auxílio de um treinador, o atleta amador pode estar colocando a saúde em risco.
  Em vez de emagrecer, por exemplo, obesos podem acabar com sérias lesões, resultado da combinação do excesso de peso com o impacto das pisadas. Especialistas alertam que o esporte, cada dia mais popular, só deve ser praticado após uma série de cuidados por parte do atleta.
  Correr, sem dúvida, faz bem. Especialistas da Escola de Educação Física da Universidade de São Paulo (USP) calculam que, se fosse estimulada, a prática do esporte diminuiria em até 35% as mortes por problemas cardiovasculares no Brasil.
  Ortopedista dos hospitais Santa Paula e Albert Einstein, Eduardo Pereira avisa: ‘‘Correr virou uma febre e as chamadas fraturas de estresse estão aparecendo com mais freqüência.’’ Para evitá-las, afirma, é indispensável uma avaliação física. A fratura mais comum, diz
Pereira, é na tíbia, o osso da perna.
  E para ter lesões basta usar o calçado errado (os tênis são indicados de acordo com a pisada de cada um) ou correr em terreno irregular, como ruas com paralelepípedos, que aumentam o impacto em articulações. O ortopedista conta que há quem, sem saber, tenha pernas de tamanhos diferentes, se arriscando ao correr sem passar por um médico. Os danos podem atingir músculos, tendão, joelhos e colunas.
  O médico Marcelo Secaf, radiologista da URP Diagnósticos, afirma que os machucados surgem em segundos, mas para curá-los podem ser necessários meses de fisioterapia. O maior risco, diz Secaf, são para obesos e mulheres mais velhas. Elas têm mais probabilidade de sofrer de osteoporose e, conseqüentemente, de ter alguma lesão.
  Outra mania de atletas amadores, de acordo com Secaf, é não fazer alongamento - que deve ser realizado antes e depois da corrida. A medida ajuda a evitar lesões musculares e dores na coluna.(Eduardo Vallim/ Folhapress)

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