Correntistas levam ao Procon reclamações contra saques irregulares
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 31 de janeiro de 2000
Por Irany Tereza 
Rio, 31 (AE) - A Caixa Econômica Federal e o Banco do Brasil têm encabeçado, no Rio, as reclamações de correntistas que constatam alterações em seus saldos bancários sem nenhuma explicação. Das 3.215 queixas contra instituições financeiras feitas ao Procon do Rio no ano passado, 744 eram referentes a saques indevidos. Do total de saques, 25% (quase 190) foram movimentações financeiras injustificadas. Por não conseguirem identificar a causa do sumiço do dinheiro, os bancos estão tendo de devolvê-lo, com correção, a seus clientes.
"Em aproximadamente 90% dos casos, a solução é tomada no próprio Procon", diz o coordenador-geral do órgão, átila Nunes Neto. Segundo ele, desde junho do ano passado denúncias deste tipo vêm tendo um aumento inesperado. "Pode ser coincidência, mas isto ocorreu na mesma época em que a maioria dos bancos lançou sites na Internet", diz ele, fazendo referência a uma possível ação de hackers (piratas de computador).
Nunes Neto cita o caso de um senhor que teve R$ 4 mil de sua conta transferidos para duas conta de poupança abertas em nome de clientes menores de idade. Depois da transferência, o dinheiro foi sacado e as contas fechadas imediatamente após.
A pensionista Laura Pereira Dutra, de 79 anos, que teve R$ 14 mil usurpados de sua conta na agência do Banco do Brasil na Ilha do Governador, na zona norte, entre os dias 8 e 15 de dezembro, não acredita em ação criminosa externa. "Para nós, a quadrilha está dentro do Banco do Brasil", reage Sandra Pereira Dutra, filha de Laura.
Os saques na conta de Laura foram feitos em caixas eletrônicos em locais diferentes da cidade, sem que ela tivesse perdido o cartão ou passado a senha para outra pessoa. "Uma questão importante é que as retiradas eram sempre superiores a R$ 1 mil e, às vezes, repetiam-se quatro vezes num mesmo dia, o que não se consegue fazer em caixa eletrônico", diz Sandra.
Para receber a pensão, de R$ 2.800, Laura tem de apresentar
no caixa, a carteira de identidade. "Se eu sou submetida a esta burocracia, como alguém pode retirar tanto dinheiro da minha conta sem ninguém perceber", reclama a pensionista, que registrou queixa na delegacia da Ilha do Governador (37ªDP) e entrou com processo no Procon para reaver a importância que desapareceu de sua conta corrente e da poupança.


