São Paulo, 11 (AE)- Os bancos brasileiros devem passar a oferecer ainda este ano aos correntistas que realizam operações pela Internet uma assinatura digital que pode evitar os desfalques on-line. O presidente da Certisign, uma empresa de certificação digital, Márcio Libermaun, disse que os maiores bancos estão montando a infra-estrutura necessária para o lançamento já no segundo semestre. Segundo Libermaun, são necessários 200 supercomputadores trabalhando 20 anos para quebrar o sigilo das chamadas chaves criptográficas de 1024 bits que dão a segurança ao correntista.
"Estamos negociando com a grande maioria dos bancos porque a situação agora ficou mais complicada para eles", afirmou Llibermaun. Ele esclareceu que o número crescente de usuários do Internet banking obriga os bancos a garantir uma segurança maior nas operações. Até meados do ano passado, segundo o executivo, o desembolso para cobrir desfalques em contas de clientes internautas era menor do que o custo de criar um sistema com tecnologia nova como a assinatura digital.
Os bancos temiam também afastar os correntistas do serviço on-line com uma solução de segurança que, até então, não era muito amigável, segundo Libermaun. "Hoje isso está resolvido", disse. O correntista usará uma passphrase (uma senha com a possibilidade de muitas letras e números) para acionar a sua "chave-privativa" de identificação que ficará armazenada no hard-disc do computador, num disquete ou até num smartcard. O banco identificará o usuário por intermédio de uma "chave-pública", armazenada nos seus sistemas, equivalente à chave-privativa do correntista, que não chega a trafegar na Internet. Libermaun disse que o sistema de par-de-chaves (privativa e pública) é tão seguro que os nova-iorquinos utilizam o celular para o Internet banking.
Essa assinatura digital é um recurso de segurança também para o correio eletrônico. "O e-mail é um cartão postal escrito a lápis", compara Libermaun. "Todo mundo vê e pode adulterar"
disse. Não há proteção total porque ainda assim podem seguir arquivos de vírus pelas mensagens eletrônicas. O que a tecnologia permite é a identificação do remetente. "É como se o ladrão de banco apresentasse a carteira de identidade", afirmou.
Para Libermaun, que criou a Certisign há quatro anos, o Brasil está tão vulnerável a ataques de hackers como os Estados Unidos. "Com certeza temos ataques às centenas mas as instituições sonegam informação porque não se deve dar publicidade aos hackers", declarou. Ele classifica os hackers em duas categorias: o pichador, que age por irreverência, e o mercenário, que é pago por grupos de interesse.
"Existe muita gente preocupada com o desenvolvimento da Internet", disse Libermaun. Para ele, as ações de hackers desta semana nos Estados Unidos são uma tentativa de desmoralizar a grande rede como um novo meio econômico, que acaba com intermediários. "É a velha guerra dos índios contra o homem branco erguendo a estrada de ferro", declarou.

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