Corrente do PT do Rio promove campanha pró-afastamento do governo
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quinta-feira, 06 de abril de 2000
Por Wilson Thomé e Clarissa Thomé 
Rio, 07 (AE) - "Sai da lama, PT" é o lema da campanha lançada hoje no centro do Rio pelo deputado Chico Alencar e integrantes do grupo Refazendo, que congrega a esquerda petista fluminense, para que o partido deixe imediatamente os cargos que ocupa no governo Anthony Garotinho (PDT). O objetivo é recolher pelo menos 1.500 assinaturas de apoio à proposta de deixar a administração, num documento que será entregue ao presidente regional da legenda, deputado Carlos Santana. No ato de lançamento do manifesto, no Buraco do Lume, militantes e simpatizantes abraçaram uma bandeira do partido de 5,60 por 8 metros.
Em frente ao Banerjão, onde funciona o gabinete da vice-governadora Benedita da Silva, que luta pela permanência do PT no governo, os petistas ironizaram a resolução aprovada, por um voto, pelo diretório regional, e que estabeleceu a "saída política" da administração com manutenção dos cargos. "Sair ficando, ou sair de costas, bem devagarinho, louco para ser chamado para ficar, pegou mal", disse o deputado. Professor de história, ele pediu um "PT decidido", como D. Pedro I, que abdicou ao trono brasileiro em 7 de abril de 1831 -169 anos antes.
O parlamentar lembrou que o PT já tomou posições "ousadas"
como não ir ao Colégio Eleitoral em 1985, que até contrariaram posições majoritárias. "A maioria das pessoas, na época, até aceitava participar das eleições diretas, apoiando Tancredo Neves, contra Paulo Salim Maluf", disse. No manifesto, os petistas dizem que o governador está envolvo em um "mar de denúncias". "O nome do PT não pode mais ser enlameado", diz. "Os representantes do PT não podem mais ficar apequenados como boquinha, adolescente", afirma o texto, referindo-se a ataques que o pedetista fez ao partido.
Resposta - O secretário de Planejamento, Jorge Bittar, considerou "suspeitos" os promotores da campanha "Sai da lama
PT", pois, afirmou, sempre foram contra a política de alianças. "Entendo mesmo que é um desrespeito à decisão do diretório", atacou. "Acredito que agiriam melhor dialogando conosco." Bittar disse que, mais importante que a saída política, foram os pontos levantados pela resolução para que sejam objeto de entendimento com o governo do Estado. "São pontos como a manutenção da política de segurança e a reconstituição da política de direitos humanos", afirmou.


