Curitiba- A Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos no Paraná garantiu que a greve dos funcionários, iniciada à zero hora de ontem em todo País, não está prejudicando por enquanto a movimentação de correspondências e encomendas via postal no Estado. Para garantir o atendimento, a empresa montou um esquema ''alternativo'' de recebimento e distribuição de correspondências no quartel do Exército do bairro Boqueirão, na Capital.
O Sindicato dos Trabalhadores nos Correios do Paraná (Sintcom-PR), no entanto, considera que essa atitude fere o direito de greve da categoria, uma vez que a empresa recorreu à contratação de cerca de 250 trabalhadores terceirizados para fazer esse trabalho. Por esse motivo, ontem mesmo o Sintcom-PR denunciou a prática da empresa junto ao Ministério Público.
Os Correios também prometiam ingressar na Justiça, ontem, com pedidos de interdito proibitório, de modo a impedir que os grevistas obstruam acessos aos locais de trabalho e impeçam trabalhadores de entrar nos prédios da empresa.
Segundo o assessor de Comunicação dos Correios do Paraná, Paulo Araújo, essa medida é necesária porque os grevistas bloquearam algumas entradas dos imóveis. Citou como exemplo a agência localizada no prédio-sede da administração dos Correios em Curitiba, onde os grevistas instalaram uma barraca na frente da porta. Em Londrina e em outras unidades, os trabalhadores também teriam travado as fechaduras com uso de palitos e durepóxi.
Mesmo assim, ele garante que a maioria das agências e unidades operacionais (onde é feita a triagem da correspondência) estava funcionando, ontem. O secretário-geral do sindicato, Nilson Rodrigues, não concorda. De acordo com ele, o setor de distribuição, responsável pela separação do material, já estava sendo prejudicado com a paralisação. Uma carga de Sedex, que teria chegado, ontem, no Aeroporto Afonso Pena, em São José dos Pinhais, estaria parada. ''A maioria dos carteiros e parte dos operadores estão parados. A empresa só vai garantir o serviço por causa da contratação dos terceirizados'', garantiu.
Durante a tarde, policiais federais com apoio de integrantes da Ronda Ostensiva de Natureza Especial (Rone) estiveram no local do piquete para assegurar que um caminhão terceirizado pudesse deixar a sede dos Correios. Os grevistas queixaram-se de abuso por parte da polícia. ''É uma situação constrangedora em um País democrático'', lamentou o secretário de Finanças do Sintcom-PR, Sebastião Rodrigues da Cruz. Segundo ele, os policiais, que estariam fortemente armados, chegaram empurrando os manifestantes e um deles teria, inclusive, sacado uma pistola para um dos grevistas.
A Secretaria de Estado da Segurança Pública informou que o policiamento em frente aos Correios foi preventivo e não houve registro de confronto entre policiais e grevistas.
A greve por tempo indeterminado foi deflagrada em, praticamente, todo País. Segundo o Sintcom-PR, o movimento só não foi iniciado em Sergipe porque a assembléia foi suspensa por liminar judicial obtida pela direção da empresa. Em Curitiba, os empregados passaram a madrugada e o dia todo acampados em frente a sede estadual dos Correios. Em todo País, os Correios têm 107 mil funcionários, sendo 5,6 mil no Paraná (2,5 mil em Curitiba). No Estado, são 364 agÊncias.
Depois de um mês e meio de negociações, as partes não chegaram a consenso. Os funcionários reivindicam 47,17% de reajuste, 6,61% referentes à reposição da inflação dos últimos 12 meses, 20% de reajuste real e parcela das perdas de anos anteriores; vale-alimentação de R$ 20,00 e piso salarial de R$ 932,00, contra R$ 442,00 atualmente. A empresa, por sua vez, propõe 8% de reajuste já e mais 3,9% em janeiro de 2006; abono de R$ 600,00, vale-alimentação de R$ 14,00 e não apresenta contraproposta para o piso.(Colaborou Andréa Lombardo)

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