São Paulo, 21 (AE) - Os Correios estão investindo o equivalente a R$ 240 milhões para acompanhar a explosão do comércio eletrônico no País. Além de modernizar equipamentos, a empresa, que já tem loja online para venda de produtos próprios, pretende lançar seu shopping virtual até o fim do ano. Os primeiros lojistas a participar do shopping devem ser aqueles com os quais os Correios já mantêm contratos de serviços de reembolso postal, como a Hermes, o IUB (Instituto Universal Brasileiro) e a De Millus. Mas o shopping também estará aberto àqueles que tiverem interesse nas vendas online.
Os Correios também estão fechando acordos com o ZAZ e outros três shoppings virtuais para oferecer aos lojistas uma série de benefícios, entre os quais a coleta gratuita na contratação para entregas expressas. Marcos César Alves Silva, assessor-executivo da diretoria comercial dos Correios, explica que a intenção da empresa não é concorrer com outros shoppings, mas ampliar e aperfeiçoar o sistema de entrega de produtos de pequeno porte, o verdadeiro negócio dos Correios que está sendo incrementado pelo comércio eletrônico.
As vendas online já provocaram, no ano passado, um aumento de 7% na entrega de encomendas expressas (Sedex), muito acima do crescimento do PIB (estimado em 0,5%) ao qual o desempenho dos Correios está diretamente atrelado. A projeção dos Correios é de aumento muito maior no fluxo de distribuição de produtos de pequeno porte (livros, CDs, roupas, softwares) nos próximos anos. "Não temos dúvida de que as vendas online explodirão no País", diz Alves Silva. O Sedex, por exemplo, respondeu, em 1999, por entre 16% e 18% do faturamento da empresa e deve continuar aumentando sua participação nas vendas da empresa.
Os Correios garantem que, com os investimentos de R$ 240 milhões, será mantido o padrão de entrega expressa, que supera 99% das expectativas. A consutoria Boston Consulting Group (BCG) criticou, em estudo divulgado no mês passado, a falta de estrutura dos Correios da América Latina para enfrentar o aumento do comércio eletrônico, o que poderia pôr em risco o crescimento das vendas online na região. "É uma observação infeliz. Os Correios têm um dos melhores serviços de entrega expressa do mundo", afirma Alves Silva.
Do total dos investimentos, R$ 55 milhões serão destinados ao aparelhamento de cinco mil pontos da empresa para leitura do código de barras das encomendas. Trata-se da ampliação e modernização do serviço de rastreamento de mercadorias, pelo qual o cliente pode saber onde está sua encomenda através do site dos Correios. Outros R$ 188 milhões serão direcionados à mecanização da triagem e à modernização do parque industrial dos Correios para abrigar os novos equipamentos. Além disso, a empresa tem investido de forma a manter a frota de veículos com vida útil sempre inferior a dois anos, de forma a não atrasar as entregas. "Nossa atual rede de atendimento suporta o crescimento das vendas online, mas se for preciso, não teremos dificuldade de ampliá-la", afirma Alves Silva.

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