São Paulo, 26 (AE) - Os motoristas que escolheram hoje como caminho a região por onde passa o Córrego Aricanduva, na zona leste da capital, precisaram ter muita paciência para enfrentar alagamentos e congestionamentos. Alguns deles ficaram cerca de seis horas parados nos veículos. A água atingiu cerca de 1 metro de altura, impedindo o tráfego na região.
No fim da manhã, a Ponte Aricanduva ficou intransitável. O Viaduto Engenheiro Alberto Badra também foi interditado. Tudo porque a Avenida Talma de Oliveira, que dá acesso tanto ao viaduto como à ponte, ficou inundada, em virtude do transbordamento do córrego. Impacientes, alguns motoristas tentavam arriscar, passando com os carros pela meio da água. Alguns tinham sorte e conseguiam seguir viagem. A grande maioria era obrigada a parar no meio do caminho, por problemas mecânicos.
"Estava atrasado e resolvi arriscar, mas, infelizmente, não deu certo", lamentou o pedreiro Benedito Oliveira, de 46 anos. Ele estava em um Gol prata e seguia para o bairro da Casa Verde, na zona norte da capital, para entregar uma encomenda. "Agora preciso arrumar um mecânico urgente para, pelo menos, conseguir voltar para casa", disse o pedreiro, que nunca tinha sido pego em enchentes na capital. Plantão - Aproveitando o temporal, quatro rapazes que trabalham em uma borracharia da região resolveram fazer "plantão" no início do viaduto, esperando os motoristas que se arriscavam nas águas. "A gente fica aqui, pois muitos carros não conseguem passar pelas inundação", disse o mecânico José das Neves. "A gente ajuda e a pessoa dá o que puder".
Ignorando o perigo de doenças, Neves entrava tranquilamente na água e até incentivava os motoristas a tentar passar pelo local. "Agora, se o problema for complicado, cobramos de R$ 5,00 a R$ 10,00".
Por volta das 15 horas, a água começou a baixar, revelando um cenário ainda mais desolador. Dois cachorros mortos foram encontrados no local. Ratos e baratas cruzavam de um lado para o outro pelo canteiro central, cheio de mato. Angústia - Enquanto isso, nos carros, motoristas só podiam esperar, angustiados com a falta de perspectivas de começar a andar novamente. "O governo só faz discurso", desabafou o comerciante Antônio Carlos de Oliveira, de 48 anos. "Enquanto isso, o povo fica nesta situação humilhante".

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