Londrina - Vizinho do Lago Igapó 2, o morador Júnior Vieira da Silva já se acostumou com os crimes ambientais cometidos contra o Córrego Água Fresca, que deságua no lago (região central de Londrina). Ontem, mais uma vez, ele percebeu que a água estava esbranquiçada desde a manhã e, por precaução, decidiu soltar os peixes que pescou com o sobrinho. A contaminação, provavelmente causada por alguma tinta, também foi percebida pelo ambientalista e assessor de recursos hídricos da Secretaria do Meio Ambiente (Sema), João Batista de Souza, que vistoriou as galerias da região mas não conseguiu encontrar de onde partiu o despejo irregular.
Souza detectou o problema durante uma vistoria de rotina na região. Imediatamente, ele fez uma varredura nas galerias entre as ruas Humaitá e Professor Joaquim de Matos Barreto, no Jardim Kennedy, mas não conseguiu identificar a origem da poluição. Ele reclamou que em alguns pontos a verificação das galerias é praticamente impossível de ser feita por causa do mato alto. O assessor criticou que a Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU) não estaria cobrando a realização do serviço da empreiteira Visatec, responsável pela poda.
A poluição chegou até o Lago Igapó 2 mas não provocou mortandade de peixes. De acordo com Souza, o mais provável é que a água tenha sido poluída com cal ou alguma qualidade de tinta a base de água ou PVA que deixou a água turva. Ele avaliou que o mais provável é que algum pintor ou construtora tenha despejado restos de tintas na rede de escoamento, que se diluíram ainda mais ao chegarem ao Água Fresca. ''A cidade não pode mais admitir que seja despejado qualquer tipo de coisa nos bueiros. Isso é crime ambiental'', apontou. O assessor cobrou ainda campanhas educativas e de esclarecimento junto às lojas de tintas e pintores para cessar com os lançamentos irregulares de resíduos tóxicos nos bueiros.
No início da noite, a reportagem procurou por telefone o diretor da CMTU, Fábio Realli, mas ele não foi encontrado.

mockup