Corregedoria pede afastamento de investigadores denunciados na CPI
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quarta-feira, 12 de abril de 2000
Por Bruno Paes Manso, Marcelo Godoy e Vera Freire 
São Paulo, 13 (AE) - A Corregedoria da Polícia Civil de São Paulo pediu hoje à Delegacia-Geral o afastamento de dois investigadores denunciados na CPI do Narcotráfico. Eles foram reconhecidos duas vezes por vítimas diferentes no plenário da CPI do Narcotráfico, o que motivou o pedido do delegado Ruy Estanislau Silveira Melo, diretor da corregedoria. Essa é a primeira vez que a medida é proposta em função dos trabalhos da comissão desde que ela retornou ao Estado.
Até este momento, o delegado-geral, Marco Antônio Desgualdo, não havia decidido se afastaria os policiais. Desgualdo estava reunido com o secretário da Segurança Pública, Marco Vinicio Petrelluzzi. A decisão deve sair ainda hoje.
Marcos Pereira, o Marcão, e Alexandre Francisco Ribeiro da Costa, o Farofa, ambos do Departamento de Investigações de Crimes Patrimoniais (Depatri), primeiro foram apontados pelo informante Laércio da Cunha como envolvidos no narcotráfico. Cunha os reconheceu no plenário ontem à tarde. À noite, foi a vez de duas novas testemunhas, o casal Wagner Penhalvez e Ivonete Cristina Raimundo Penhalvez, que disseram que foram sido achacados por policiais do Depatri e da Praia Grande.
Acusado de estelionato, Wagner Penhalvez disse que foi obrigado a pagar propina para liberar sua Mercedes-Benz apreendida pelos dois investigadores. Ele foi acareado pela CPI com os dois investigadores do Depatri. "Desta vez, a testemunha não era anônima, foi à CPI e veio à corregedoria", disse Melo. Os policiais poderão ser obrigados a entregar a arma, a algema e o distintivo para facilitar as investigações.
Além dos dois policiais, três outros de Santos também foram acusados pelo casal. Eles teriam exigido dinheiro para soltar Wagner Penhalves. O delegado Rubens Nunes Paes e os investigadores Renato Lopes Apolinário e Adriano Borges de Matos foram ouvidos na corregedoria hoje à tarde. Além deles, o órgão também ouviu os policiais do Depatri e o casal que os acusa.
A CPI do Narcotráfico da Câmara Federal ouviu hoje o traficante Edésio Queija Vieito, responsável por intermediar e contratar mulas para levar drogas em "navios" que saem do porto de Santos para países da Europa e Estados Unidos. Vieito confirmou a existência de esquema de tráfico de drogas no Porto de Santos, que foi detalhado aos parlamentares em sessão reservada. O traficante não revelou quanto ganhava e não entregou o nome de nenhuma autoridade que estaria envolvida no esquema. Os integrantes da CPI, entretanto, disseram ter apurado que o trabalho de Edésio por autoridades do alto escalão da Receita Federal e do porto de Santos. O dinheiro do comércio de drogas, segundo afirmou o deputado Pompeu de Mattos(PFL-RS) é usado para financiar campanhas politicas.
Um depoimento que está sendo aguardado na CPI é do superintendente da Receita Federal em São Paulo, Flávio Del Comuni que está sendo investigado pela delegacia de Prevenção e Repressão de Crimes Fazendários da Polícia Federal que apura o envolvimento dele num esquema de fraudes, favorecimento ao contrabando e arrecadação de proprinas para financiamento de campanhas politicas. A Polícia Federal já requereu a quebra do sigilo fiscal, telefônico e bancário do superintendente da Receita. ÉTemos muitas perguntas a fazer para eleÉ, disse o deputado Mattos. Espero que ele responda, porque caso as dúvidas permaneçam a situação dele pode ficar complicadaÉ.
O Porto de Santos seria a última parada de uma das duas rotas de drogas e armamentos apuradas pela CPI que chegam ao Brasil.Neste percurso a carga viria com armas do Suriname por avião e caminhões pelo Pará, seguiria para a Colombia onde seria tracada por droga.Na Colômbia, as armas são usadas para abastecer o grupo guerrilheiro FARC. As drogas vindas da Colômbia seriam comercializadas no norte do país e no estado de São Paulo. Parte dessa droga que chega a São Paulo é mandada à europa pelo porto de Santos.
Em troca, a Europa mandaria armas para o Brasil. A outra rota iniciaria em Miami, abastecida de armas, iria para o Porto de Paranaguá no Paraná, partiria para o Paraguai em caminhões para de lá dar suporte aos traficantes de drogas brasileiros. Recentemente, um caminhão foi apreendido pela Policia Federal no Rio de Janeiro com 400 fuzis AR-15.
Às 17h10 foi iniciada uma nova sessão secreta para que Carlos Rodrigues de Andrade Junior, preso por tráfico de drogas, revelasse à CPI mais detalhes sobre o tráfico de drogas no Porto de Santos.


