Corregedoria instaura sindicância para investigar guardas acusados da morte de jovem
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quarta-feira, 13 de junho de 2018
Rafael Machado<br>Grupo Folha 
A Secretaria Municipal de Defesa Social publicou uma portaria oficializando a sindicância que irá investigar a conduta dos guardas municipais Michael de Souza Garcia, Fernando Ferreira das Neves e João Victor Goés Arruda no processo que investiga a morte do estudante Matheus Evangelista, 18 anos, em 11 de março deste ano, no jardim Porto Seguro, zona norte de Londrina. O documento que abriu a investigação na Corregedoria da Guarda Municipal é de 5 de junho, quase três meses após o homicídio do jovem.

O secretário de Defesa Social, Evaristo Kuceki, explicou a demora na instauração do procedimento. "Tivemos que analisar a apuração feita pela Delegacia de Homicídios e a seleção dos três agentes que vão coordenar esta apuração. Não havia necessidade de pressa porque não era algo emergencial, já que dois deles estão presos. Além do inquérito policial, a denúncia do Ministério Público será usada como subsídio para o corregedor", afirmou. Na última segunda-feira (11), Kuceki fez um pedido à juíza da 1ª Vara Criminal, Elisabeth Kather, para ouvir Fernando Neves e Michael Garcia, que estão na cadeia.
Ainda não há data para coleta dos interrogatórios. Pelo regimento da Guarda Municipal, o processo administrativo disciplinar deve ser concluído em até 90 dias, podendo ser prorrogado pelo mesmo período. "Acredito que não vamos precisar dessa renovação", ponderou o secretário. Ele não descartou a possibilidade da Corregedoria convocar testemunhas que já depuseram na Polícia Civil. Segundo a portaria, os guardas poderão ser demitidos da corporação ou até mesmo serem suspensos por alguns dias, penas que podem ou não ser aplicadas pelos membros da comissão.
O caso
Matheus Evangelista morreu no dia 11 de março enquanto participava de uma festa no jardim Porto Seguro, zona norte da cidade. Incomodados com o barulho da festa, vizinhos chamaram a Guarda Municipal para tentar abaixar o som. De acordo com o delegado de Homicídios de Londrina, Ricardo Jorge, a vítima teria sido baleada durante a abordagem dos agentes. Para a polícia, a reconstituição do crime atestou que o tiro que matou o rapaz partiu da arma de Neves.
Ele e Garcia foram denunciados pelo promotor Ricardo Domingues por homicídio e fraude processual. Já João Victor Arruda, que está solto, também permanece afastado da corporação. Ele não pode usar armas da GM ou particulares e também foi proibido de sair da cidade sem autorização da Justiça.


