Corregedoria assume caso de policiais envolvidos com roubo de carga
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segunda-feira, 29 de novembro de 1999
Por Marcelo Godoy 
São Paulo, 29 (AE) - A Corregedoria da Polícia Civil assumiu as investigações sobre o caso dos dois policiais civis presos em flagrante no sábado à noite com uma carga de carne e um caminhão Mercedes-Benz roubados. A decisão foi tomada hoje pelo delegado-geral Marco Antônio Desgualdo, que se reuniu com o novo diretor do órgão, Ruy Estanislau Silveira Mello. O caso havia sido registrado no 2.º Distrito Policial de São Bernardo do Campo, que, agora, vai enviá-lo à corregedoria.
Além do inquérito, a corregedoria abrirá sindicância para apurar as infrações administrativas de que os policiais são acusados. De acordo com Mello, eles terão de explicar como saíram com um carro oficial da delegacia onde trabalhavam, o 42.º DP, no Parque São Lucas, zona leste de São Paulo, sem que tivessem informado isso ao Centro de Operações da Polícia Civil (Cepol). O carro foi usado, segundo a PM, para escoltar a carga roubada. Também será verificada a existência ou não de ordem de serviço assinada por um delegado para que eles saíssem de São Paulo.
Os acusados, o agente policial Marco Antônio Garcia Ozioli e o investigador Celso Setuo Maruoka, foram presos no km 15 da Via Anchieta, em São Bernardo do Campo, pelo tenente-coronel Alexandre Melchior Rodrigues, comandante do 6.º Batalhão da PM, responsável pelo patrulhamento daquela cidade. A carga e o veículo haviam sido roubados um dia antes, na Via Dutra.
Os policiais estavam parados no acostamento da rodovia quando o oficial passou e foi ver o que estava ocorrendo. Verificando a situação do caminhão pelo número da placa, o motorista do tenente-coronel descobriu tratar-se de um veículo roubado. Segundo o oficial, primeiro os policiais civis disseram que estavam esperando um guincho, pois o caminhão estaria quebrado. Descoberto o roubo, eles mudaram de versão, segundo a PM, dizendo que estavam fazendo uma "investigação". Os dois acabaram sendo autuados em flagrante sob a acusação de receptar a carga roubada, avaliada em R$ 30 mil.
Fiscalizar carros - Segundo o corregedor, cabe à autoridade policial que chefia os policiais a fiscalização do uso dos carros. "Vamos apurar isso também", disse Mello. Ele afirmou que designará um delegado para investigar o caso. Hoje o delegado-geral afirmou que a investigação do caso será completa e "não ficará apenas na periferia". O objetivo é saber quem mais estaria envolvido.
Para tanto, o motorista do caminhão será chamado a fim de tentar reconhecer os policiais acusados. "Vamos fazer alterações naquela delegacia", disse Desgualdo. A participação de policiais no roubo de carga em São Paulo é um dos principais alvos da CPI do Narcotráfico, da Câmara.
O agente policial Ozioli está na polícia há menos de um ano e é 5.ª classe, o primeiro estágio na carreira. Já o investigador é 1.ª classe, um nível abaixo do máximo, e é policial há 23 anos. A reportagem procurou hoje o delegado Marco Antônio Novas de Paula Santos, chefe-interino da 8.ª Delegacia Seccional, em São Mateus, que chefia a delegacia do Parque São Lucas, mas não o encontrou. O delegado estava numa reunião durante a tarde no gabinete do secretário da Segurança Pública.


