Corregedoria arquiva denúncia de tráfico de criança feita por prefeita assassinada
Marília, SP, 15 (AE) - A denúncia da ex-prefeita de Mundo Novo, Dorcelina de Oliveira Folador, assassinada em sua casa no último dia 30 de novembro, de tráfico de crianças e de orgãos envolvendo um juiz de direito, um advogado, um ex-prefeito da cidade e outras pessoas, foi investigada pela Justiça de Mato Grosso do Sul (MS) e arquivada. A informação foi prestada pelo juiz Luiz Carlos de Souza Ataide, alvo das denúncias, que considera a acusação de Dorcelina, "mera cópia de relatório, duvidoso quanto à sua autenticidade".
Para fazer as acusações, a ex-prefeita baseou-se em uma carta na qual Carlos Augusto Borges de Oliveira, condenado a 6 anos de prisão por atentado violento ao pudor e foragido da Justiça, acusa Ataide, o advogado Jair de Alencar, o ex-prefeito José Carlos da Silva, além da responsável pelo orfanato Cristo Rei, Elvira Ribas Nunes, de atuarem em conjunto com o intuito de favorecer a adoção de crianças brasileiras por casais de estrangeiros. A carta, redigida em abril de 1997, foi enviada para o deputado Padre Roque (PT-PR), quando o juiz Luiz Carlos de Souza Ataide, que hoje responde pelo Fórum de Jardim, atuava na Comarca de Mundo Novo e está anexada ao processo crime 22/94 que trata da condenação de Oliveira. A ex-prefeita enviou a denúncia à Comissão de Direitos Humanos da Câmara Federal, que pediu a investigação da Corregedoria-Geral da Justiça do Estado.
Assinada pelo Corregedor-Geral de Justiça de MS, desembargador Hamilton Carli, em 7 de janeiro deste ano, a sentença destaca que foram analisados todos os processos de adoção presididos pelo juiz Ataide, quando estava na comarca de Mundo Novo, além dos depoimentos dos demais acusados e conclui que eles "obedeceram estritamente os ditames legais, sendo acompanhados pelo Ministério Público e pela Defensoria Pública". De acordo com o desembargador, ao fazer as denúncias, o condenado Oliveira, "volta-se contra quem o julgou, inventando, mentindo e fazendo-se de vítima, para, com tal objetivo, por caminhos diversos, livrar-se da condenação que paira sobre si". Lembrando que o juiz Ataide, durante sua permanência em Mundo Novo, fundou uma entidade de amparo aos menores abandonados, a sentença ainda o elogia: "Em vez de ter o seu nome escarnecido, deveria é ser homenageado, não apenas por ser um magistrado exemplar, mas porque, além do exercício da judicatura, empreendeu uma obra social de vulto".





