Corregedoria apura prisão de surdo-mudo
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terça-feira, 08 de maio de 2007
Vanessa Navarro<br>Reportagem Local 
A Corregedoria Regional da Polícia Civil abriu um procedimento administrativo para apurar se houve falhas na conduta policial durante a prisão do entregador surdo-mudo Alexandre de Oliveira Pontes, 21 anos, acusado de tentar assaltar uma loja de conveniência no dia 20 de fevereiro. Uma série de depoimentos relacionados ao caso foram tomados ontem.
Pontes prestou informações à tarde, com a ajuda de um intérprete, mas a reportagem não foi autorizada a acompanhar. Na saída, o jovem afirmou que as acusações feitas contra ele foram infundadas e que sofreu grande pressão em seu primeiro depoimento, quando a polícia lavrou o suposto flagrante. Ele lembrou que havia muitas palavras incompreensíveis para ele no interrogatório, feito por escrito, e que por isso ficou confuso com as perguntas.
''A maior falha foi a falta de um intérprete quando ele foi preso'', afirmou o advogado do jovem, Reginaldo Marticelli. Já o corregedor regional, Jurandir Gonçalves André, declarou que o foco do procedimento administrativo é apurar se havia provas que permitissem levar Pontes ao cárcere ou não.
''Chegou ao conhecimento da Polícia Civil, através da Ouvidoria, uma denúncia de que houve irregularidade nessa prisão. Vamos apurar como foi a conduta da polícia do momento em que houve a solicitação, até a oitiva formal no 1º Distrito Policial (DP)'', apontou. A corregedoria tem 30 dias para concluir os trabalhos.
Pontes foi preso por dois policiais civis dentro de um ônibus, depois de ser acusado pelo dono de uma loja de conveniência, localizada na Área Central de Londrina, de ter tentado assaltar o local. O comerciante denunciou que o rapaz teria levantado a camisa para exibir uma suposta arma dentro da loja e feito um sinal pedindo dinheiro. O entregador, por sua vez, alegou que o objeto na cintura era sua carteira e que fez um gesto para indagar o valor de um achocolatado. Ele passou 13 dias preso.
A ex-caixa da loja, Sônia Maria Malassisse, outra testemunha ouvida pela corregedoria, reafirmou que não presenciou nenhuma tentativa de assalto e que apenas desconfiou de Pontes quando ele entrou na loja, por causa de suas vestimentas. ''Eu jamais gritei, como ele (o dono da loja) contou à polícia. Sofri pressão (do patrão) para mudar meu depoimento e por isso acabei me demitindo, assim como outra funcionária'', desabafou.
Sobre a ação da polícia, ela disse estranhar apenas que tenha sido intimada a depor uma semana após o fato. ''Falaram que foi porque eu estava em choque. Não é verdade'', garantiu Sônia, que continua desempregada. Policiais civis também foram ouvidos ontem, mas o teor dos interrogatórios não foi divulgado.


