Corregedoria apura denúncia em Porecatu
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 09 de outubro de 2001
Maranúbia Barbosa<br> Enviada a Porecatu 
O juiz Fernando Antonio Prazeres, da Corregedoria-Geral de Justiça, esteve ontem no Fórum de Porecatu (85 km ao Norte de Londrina) para apurar denúncias contra o juiz da cidade, Evandro Luiz Camparoto. Na semana passada, Camparoto declarou-se suspeito e se afastou do processo contra os sindicalistas Evanildo Pinto Rodrigues, Daniel Malaquias e Claudemir Arriero, presos há quase quatro meses, sob acusação de extorquir R$ 200 mil da Usina Central do Paraná, produtora de açúcar e álcool. Os advogados de defesa de Rodrigues apresentaram gravações telefônicas acusando Camparoto de manter amizade com a direção da usina e orientar o advogado de acusação (ver texto ao lado).
Durante cerca de quatro horas, Prazeres tomou em separado os depoimentos de Rodrigues e do seu advogado Osvaldo Cavalcanti e Silva, que acompanhou o flagrante. Segundo o juiz da Corregedoria, Camparoto também foi ouvido ''informalmente''. Prazeres, que ouviu as gravações telefônicas com os supostos diálogos entre Camparoto e o diretor da usina, Jaime Planas Navarro, informou que fará um relatório e encaminhará ao corregedor-geral, Tadeu Marino Loyola da Costa.
Se for comprovada condução ilícita do juiz de Porecatu frente ao processo, a Corregedoria relata ao Conselho de Magistratura, que poderá impor medidas punitivas como o afastamento da comarca e suspensão.
Prazeres não quis se manifestar sobre o processo, mas adiantou qua a declaração de suspeição feita por Camparoto e o afastamento dele já é encarada como medida processual. ''Não posso emitir nenhum juízo de valor sobre as ações (de Camparoto)'', esquivou-se. Segundo Prazeres, somente o corregedor-geral poderá avaliar a situação de Camparoto e impor sanções.
Segundo o ex-presidente do Sindicato dos Rodoviários de Londrina e região, Evanildo Rodrigues, o juiz da Corregedoria quis saber se existiriam outras acusações de extorsão contra a usina e se Camparoto poderia ter beneficiado a empresa. ''Eu disse a ele que existem mais casos de extorsão'', contou. Rodrigues disse que, durante o depoimento, Prazeres solicitou cópia de outros processos de presos condenados.
O sindicalista comentou que está confiante no pedido de habeas-corpus, que deve ser julgado na próxima quinta-feira pelo Tribunal de Justiça do Estado. Na semana passada, o desembargador Moacir Guimarães suspendeu o julgamento ao tomar conhecimento da suspeição e das denúncias de imparcialidade contra Camparoto.
Hoje pela manhã Prazeres deve ouvir, na 1ª Vara Cível de Londrina, os advogados de defesa do sindicalista, Fábio Franz e Giovani Macedo. Na quinta-feira, Prazeres volta a Porecatu para colher os depoimentos do diretor-geral da usina, Jaime Navarro, e do advogado da empresa, Haroldo Fernandes.


